A ciência e os fatos já assentaram muito bem a relevância estratégica da vacinação para a saúde coletiva no país e no mundo todo. Não é preciso ir longe para realizar de pronto tais constatações. Basta, por exemplo, verificar o aumento da expectativa de vida. Muito disso se deve à melhoria das condições de saneamento, que continuam, não obstante, um tanto quanto insatisfatórias, ao aumento da inclusão das famílias no consumo e, por certo, ao incentivo da imunização vacinal. As diferenças são gritantes. Na década de 40, um brasileiro tinha a previsão de viver aproximadamente 45,5 anos. Na década de 50, passou para 50 anos. Nos dias atuais, essa projeção indica uma média superior a 76 anos.
Após um período crítico de desinformação acerca da imprescindibilidade da vacinação, tudo indica que estamos ingressando em uma fase que poderá ser de maior efetividade na prevenção. Como é sabido e consabido, as vacinas previnem diversas doenças, a incapacitação proveniente delas e a morte por enfermidades evitáveis, tais como o HPV, a poliomielite, o sarampo, a rubéola, a parodite, a difteria, o tétano, a tosse convulsa, a hepatite A e B, as pneumonias bacterianas, as doenças diarreicas por rotavírus e a meningite bacteriana. Infelizmente, houve reversão num quadro que era de avanços, como no caso do sarampo, que, após erradicado, voltou a fazer vítimas no país, o qual, só recentemente, saiu de uma lista indesejada de 20 países com mais crianças desprotegidas.
Esse cenário mais favorável precisa ser mantido a todo esforço. Para a representante da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) no Brasil, Socorro Gross, o combate às fake news no tocante à vacinação é imperioso, sobretudo nas redes sociais. Urge focar em quem tem dúvidas sobre a eficácia e a segurança das doses, esclarecendo-os devidamente, pois são alvos inocentes daqueles que espalham boatos e notícias falsas. Essa postura ativa é importante para barrar as condutas deletérias que buscam confundir os menos informados com dados falsos e criminosos.