Direto ao Ponto

Passagem de Ramón Díaz no Corinthians foi marcante dentro e fora de campo

Argentino salvou o Timão do rebaixamento em 2024, tirou o estadual das mãos do maior rival em 2025, mas saiu sob críticas internas e externas no trabalho de nove meses no clube paulista

Emiliano e seu pai, Ramón Díaz, comandaram o Corinthians por nove meses
Emiliano e seu pai, Ramón Díaz, comandaram o Corinthians por nove meses Foto : Rodrigo Coca / Agência Corinthians / CP


Nesta quarta-feira quando o Inter receber o Corinthians no Beira-Rio, Ramón Díaz irá rever o grupo de jogadores que comandou até abril. O treinador foi contratado pelo Timão na metade da temporada passada quando o time tinha o rebaixamento no horizonte dada a péssima campanha na largada do Brasileirão. A passagem marcante por lá divide opiniões de quem acompanhou de perto o dia a dia no CT Joaquim Grava.

Seis meses depois, agora em Porto Alegre, o argentino recebe uma missão parecida. No Colorado tem apenas uma competição para disputar e não três como foi na capital paulista. Na ocasião esse foi um dos aspectos que teve consequência junto à Fiel torcida que comemorou nove vitórias seguidas em 2024, vibrou com o título do estadual diante do maior rival, mas que não poupou quando os resultados não vieram.

No Corinthians foram 60 jogos, 31 vitórias, 16 empates, 13 derrotas, 94 gols marcados, 62 gols sofridos, 20 jogos sem sofrer gols totalizando 60,5%. Números que enchem o torcedor do Inter de esperança em ver a mesma recuperação já a partir da estreia na casa nova.

O Correio do Povo consultou três opiniões a respeito do trabalho de Ramón Díaz (e seu filho Emiliano) no comando o Corinthians, há quem diga encerrado a partir das cobranças públicas do holandês Memphis Depay, principal estrela do vestiário:

"Se você quer um time que apenas corre e não joga com o cérebro, acho que está escolhendo o time errado, porque olhamos para o nosso DNA. (...) Mas se olharmos como às vezes estamos posicionados, como o time é tão aberto, como as linhas entre nós são como 50 metros, na minha opinião, isso não é futebol."

Rodrigo Vessoni | Editor do site Meu Timão

Passagem boa porque o time estava na zona do rebaixamento e termina o ano na pré-Libertadores e semifinalista da Copa do Brasil e da Sul-Americana. Este ano quebra o jejum de seis anos do título estadual e impede o tetra inédito do Palmeiras. Mas ao contrário de 2024 quando teve o trio Garro, Memphis e Yuri Alberto bem fisicamente, em 2025 ele perde o Garro com problema no joelho. E depois eles (Ramón e Emiliano) sofreram com a questão política com o presidente em meio a escândalo de polícia. E no momento que o time estava mal a diretoria precisava de um fato novo para tentar esconder os problemas e mandou eles embora.

Biana Molina | Setorista do Corinthians na TNT

Ele saiu pela pressão política no presidente Augusto Melo na época. O clube só contratou um jogador no começo desse ano que foi o Angileri. Tinha o inquérito da patrocinadora que deu origem ao impeachment. (..) A única coisa que segurava ele era o aspecto de campo. E o presidente não tinha tempo pela pressão que sofria. O time não se reencontrou mais defensivamente e também ele não tinha um bom trato bom nos bastidores com os jogadores. O elo era o Emiliano que terminou até amigo de muitos jogadores. Há casos de funcionários e até jogadores que o Ramón não sabia o nome. E atletas líderes passaram a questionar os treinos dele. Isso tudo pesou.

Chico Garcia | Apresentador da TV Bandeirantes

O saldo é positivo. Eles cumpriram o objetivo que era evitar o rebaixamento e ainda ganharam o Paulistão para cima do Palmeiras esse ano. Porém, o Corinthians foi sempre muito dependente do trio Garro, Yuri e Memphis. E outra coisa é que eles rifaram as Copas do Brasil e Sul-Americana que não eram prioridade no ano passado e isso desagradou o torcedor. Havia a expectativa de que o Corinthians desse um salto, mas a sensação é que eles chegaram no teto, que o trabalho já estava feito.

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