O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, é um dos dirigentes mundiais que mais enfrenta problemas. Agora, está numa briga com o Reino Unido e que não é uma briga isolada. Tudo porque o governo de sua majestade, assim como os da França, do Canadá, da Dinamarca e de mais nove países da primeira linha mundial, resolveu protestar pelas agressões que colonos israelenses estão fazendo na Cisjordânia ocupada contra moradores palestinos. Muitos dos quais foram expulsos de suas propriedades, que foram tomadas pelos colonos judeus.
O protesto se dá pelo fato de a Cisjordânia ser o território destinado pela ONU para o futuro Estado da Palestina. A ação dos colonos tem um objetivo precípuo: inviabilizar o dito Estado. E é lógico que essas ações têm o respaldo do governo de Netanyahu. Daí o protesto dos países.
ESTADO
Se há um tema que vem sendo cada vez mais desconsiderado pela atual administração israelense é o relativo ao Estado Palestino. Há dentro da atual administração quem pense até na exterminação do povo palestino. O ministro da Segurança Nacional de Israel, o ultradireitista Itamar Ben-Gvir, defendeu publicamente que as forças israelenses deveriam “matar de 30 a 40 pessoas” por noite na Faixa de Gaza. Declaração proferida no dia 16 de agosto último e que não mereceu nenhuma contestação por parte de seus parceiros de governo.
Essa gana por parte de alguns integrantes do governo de Netanyahu incrementou-se depois dos atentados perpetrados pelo Hamas a 7 de outubro de 2023 e que resultaram nas mortes de 1,2 mil pessoas e sequestro de 251. Na reação israelense foram mortos 73 mil palestinos na Faixa de Gaza. Um fato que traz agora uma pesada acusação contra Netanyahu.
AVISO
O jornal israelense Haaretz publicou matéria em que diz que o líder dos Emirados Árabes Unidos, o emir Mohammed bin Zayed al-Nahyan, teria avisado Netanyahu sobre o plano do Hamas de atacar Israel. A advertência teria sido feita cerca de dez dias antes da ocorrência e Netanyahu não a levara em consideração. O gabinete do primeiro-ministro classificou o relato como falso e disse que ele não teria recebido aviso algum.
Verdade ou não, o certo é que a ocorrência deixou duas marcas negativas para o governo de Netanyahu. A primeira foi a falha gritante dos serviços de segurança, que não previu nada da ocorrência. E ainda levaram muito tempo para reagir. O outro ponto altamente negativo foi a reação desproporcional em Gaza, que resultou nas mortes de mais 73 mil palestinos – entre homens, mulheres e crianças –, além da destruição quase que completa de Gaza.
NEGOCIAÇÃO
Também se pode acrescentar como decorrência desses fatos o afastamento de qualquer possível negociação com vistas ao estado dos palestinos. Pelo contrário, como se viu, cresceram as ações para inviabilizar esse objetivo. E as ações se dão justamente na Cisjordânia, onde as cidades são administradas pela Autoridade Palestina, que reconhece a existência do Estado de Israel e defende dois estados, convivendo com fronteiras definidas e seguras. Tenho convicção de que, sem o Estado da Palestina, Israel nunca terá sossego. Pois só irão crescer e se reestruturar os movimentos radicais. Cada criança ou jovem palestino que sobreviveu aos ataques em Gaza será mais um sério candidato a ser cooptado para um ressurgimento do Hamas.
ACORDOS
Boa parte da comunidade judaica não acredita que possa haver uma convivência pacífica na região. O caminho para uma concretização dos dois estados passa pelos Acordos de Abraão, traçados pelo presidente Donald Trump, em seu primeiro mandato e que resultaram em acordos de paz de Israel com Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Marrocos e Sudão. Há quem diga que o ataque do Hamas de 7 de outubro de 2023 se deu porque os acordos entre árabes e judeus não contemplavam o caso dos palestinos.
É possível que seja verdade, pois a Arábia Saudita, que estava por assinar os acordos, condiciona agora sua adesão a uma solução para o problema palestino. Num pensamento muito otimista, se poderia pensar em aproveitar o potencial de investimentos dos árabes com os conhecimentos tecnológicos de Israel, para fazer com que a área palestina seja transformada num novo Vale do Silício.