Direto ao Ponto

Quem pode herdar espólio do bolsonarismo

PL e aliados buscam lideranças capazes de manter a confiança de quase 60 milhões de eleitores

Foto : Arte Leandro Maciel

| Foto: Arte Leandro Maciel

Tarcísio de Freitas – O governador de São Paulo, do Republicanos, foi reeleito para o cargo no primeiro turno, com 62,6% dos votos válidos. Tarcísio era o preferido do mercado financeiro e de parte significativa dos setores empresariais para concorrer à presidência da República, e já se movimentava neste sentido no ano passado. Mas recuou após Jair Bolsonaro escolher o filho. Ao fim do segundo turno, chamou a atenção o fato de não aparecer nas imagens que registraram o pronunciamento de Flávio quando da derrota. Na terça-feira, reconheceu a vitória de Lula, disse que a eleição passou, pregou a unidade da direita e fez referência a um projeto de país. Na quarta, após a carta esdrúxula publicada por Flávio dos Estados Unidos, o governador divulgou nota afirmando ser necessário respeitar o resultado das urnas e destacando que o momento exige responsabilidade e construção de uma oposição forte.

Michelle Bolsonaro – Eleita senadora pelo Distrito Federal, a esposa de Jair Bolsonaro obteve quase um milhão de votos em sua primeira disputa por um mandato. Na noite do domingo, tanto ela quanto Flávio estavam em Brasília. Mas, enquanto o enteado amargava a derrota, Michelle comemorava a reeleição de Celina Leão (PL) para o governo do Distrito Federal. A festa foi documentada e postada nas redes sociais da senadora Damares Alves. Michelle não se envolveu na campanha de Flávio no segundo turno, e a ausência de relação com o enteado é pública. Em junho, ela provocou um abalo na pré-campanha do senador à presidência, publicando um vídeo no qual o acusou de desrespeito. Na terça, 27, se reuniu com o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, para tratar do futuro do partido. Foi o dirigente quem postou sobre o encontro nas redes.

Cleitinho Azevedo – O senador do Republicanos, eleito governador de Minas Gerais no primeiro turno, com 55,40% do válidos, é uma das lideranças que, como Tarcísio, ‘corre por fora’ do PL e da família Bolsonaro. Ex-verdureiro e músico, começou a usar as redes para divulgar a carreira artística e se tornou influenciador. Venceu para o primeiro mandato em 2016, como vereador na cidade de Divinópolis. Depois se elegeu deputado estadual, em 2018, e senador, em 2022. O estilo informal, popular, o farto uso das redes e o discurso contra privilégios vêm garantindo seu sucesso nas urnas. Contudo, é considerado mais como um representante do Centrão do que da direita, seja a tradicional ou a bolsonarista.

Davi Alcolumbre – Tradicional representante do Centrão, o presidente do Senado, do União Brasil, não entra nas listas de apostas como uma das lideranças a herdar o espólio do bolsonarismo. Ele ganha destaque como um dos políticos com autoridade. Isso significa poder de encaminhar negociações em múltiplas direções. E recalibrar as forças entre os campos políticos na próxima administração de Lula, mantendo o protagonismo do Centrão, que parecia apagado após a ‘avalanche’ de votos do PL no primeiro turno da eleição de 2026, e seus constantes movimentos de pêndulo. Em campanha aberta para permanecer na presidência do Senado, terminou a eleição como um dos políticos com os quais o governo não pode cortar relações.

Governadores eleitos do PL – A aposta dentro do partido é de que governadores eleitos em primeiro turno, como Luciano Zucco, no RS, Sérgio Moro, no Paraná, Douglas Ruas, no Rio de Janeiro, e o reeleito em Santa Catarina, Jorginho Mello, vão tentar ocupar pelo menos parte do espaço deixado pela ausência imediata de uma liderança com o sobrenome Bolsonaro. Ruas enfrenta investigações em curso no Ministério Público e no Tribunal de Justiça do RJ. O desempenho de Moro esbarra no histórico do ex-juiz. E Mello não se mostrou por enquanto com estatura de liderança nacional. O conjunto, esperam integrantes do PL gaúcho, pode vir a abrir um corredor largo para Zucco.

Carlos Bolsonaro – Eleito senador por Santa Catarina com 2.041.840 votos, o irmão de Flávio enfrentou desgaste durante a campanha por concorrer em um estado ao qual não tinha vinculação e por sua candidatura ‘trair’ a aliança negociada com Espiridião Amin (PP), que terminou derrotado. Carlos não estava com o irmão durante a apuração da eleição presidencial, e fez sua primeira manifestação após o resultado em um vídeo postado nesta quarta, 28. Nele, relatou que visitou o pai, a quem direcionou uma série de elogios, sem fazer referências diretas a Flávio. Carlos manteve forte atuação nos bastidores e nas redes durante o governo de Jair Bolsonaro. Mas tem perfil considerado por aliados como ‘desagregador’ e instável, incompatível com o buscado dentro do PL para liderar a direita ou mesmo a legenda.

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