A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) confirmou nesta quinta-feira, 11, o início do fenômeno El Niño no Oceano Pacífico Equatorial.
Segundo a agência, as condições observadas no oceano e na atmosfera já caracterizam oficialmente o estabelecimento do evento climático, marcado pelo aquecimento anormal das águas do Pacífico e mudanças nos padrões de ventos, chuva e nebulosidade.
O anúncio era aguardado por meteorologistas, já que os principais indicadores vinham apontando, há semanas, a consolidação do fenômeno. A MetSul Meteorologia, por exemplo, já havia informado no início desta semana que o El Niño estava em desenvolvimento com base na análise de dados oceânicos e atmosféricos.
Entenda a confirmação do fenômeno
De acordo com a NOAA, temperaturas acima da média passaram a ser registradas entre as regiões central e leste do Pacífico Equatorial. Ao mesmo tempo, a atmosfera começou a responder ao aquecimento do oceano, em um processo conhecido como acoplamento oceano-atmosfera, considerado essencial para a caracterização do El Niño.
Segundo a MetSul, o aquecimento das águas se intensificou nas últimas semanas após o deslocamento de grandes volumes de água excepcionalmente quente do Pacífico Oeste em direção à América do Sul. O aquecimento é ainda mais expressivo próximo às costas do Peru e do Equador, onde atua o chamado El Niño Costeiro.
Além das mudanças no oceano, indicadores atmosféricos também passaram a apresentar sinais típicos do fenômeno, incluindo alterações na pressão atmosférica e nos ventos sobre o Pacífico Equatorial.
Evento pode atingir intensidade muito forte
As projeções climáticas apontam que o El Niño deve continuar ganhando força ao longo dos próximos meses. Segundo a NOAA, há 63% de probabilidade de que o episódio alcance intensidade muito forte entre novembro de 2026 e janeiro de 2027.
Caso o cenário se confirme, o fenômeno poderá figurar entre os mais intensos registrados desde o início das medições modernas, em 1950.
A MetSul avalia que existe inclusive a possibilidade de o evento atingir a categoria informalmente conhecida como "Super El Niño", utilizada para episódios de intensidade excepcional.
Os modelos analisados pela empresa indicam que o pico do fenômeno deve ocorrer entre outubro e novembro deste ano, embora a magnitude exata ainda seja incerta.
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Fenômeno deve durar até 2027
Diferentemente de eventos meteorológicos de curta duração, como tempestades e frentes frias, o El Niño é uma condição climática que pode influenciar o tempo por vários meses.
A expectativa dos meteorologistas é de que o episódio de 2026-2027 permaneça ativo pelo menos até o outono do próximo ano, afetando os padrões de chuva e temperatura em diversas regiões do planeta.
Os impactos costumam variar conforme a localização. Em geral, o fenômeno reduz as chuvas em áreas do Norte e do Nordeste do Brasil, enquanto favorece precipitações acima da média na Região Sul.
Sul do Brasil está entre as áreas de maior preocupação
A MetSul avalia que o Sul do Brasil deverá ser uma das regiões mais afetadas pelo novo episódio.
Historicamente, anos de El Niño estão associados ao aumento da frequência de chuvas intensas, cheias de rios, enchentes e temporais com vento forte e granizo na região. O período de maior risco deve ocorrer durante o fim do inverno, a primavera e também o outono de 2027.
A confirmação do fenômeno reacende a atenção no Rio Grande do Sul após a enchente histórica registrada em maio de 2024. O desastre ocorreu durante o último episódio de El Niño, que se desenvolveu entre 2023 e 2024 e provocou impactos em centenas de municípios gaúchos.
O que esperar
Apesar do aumento do risco para eventos extremos, especialistas ressaltam que a intensidade do El Niño não determina, por si só, a ocorrência de uma nova catástrofe semelhante à registrada no Rio Grande do Sul em 2024.
Meteorologistas explicam que enchentes de grande magnitude dependem da combinação de diversos fatores atmosféricos e hidrológicos, que só podem ser avaliados com maior precisão em previsões de curto e médio prazo.
Assim, embora o novo El Niño aumente a probabilidade de episódios de chuva extrema, ainda não é possível afirmar se haverá a repetição de um desastre semelhante ao ocorrido há dois anos.