O temporal com queda de granizo que deixou 162 pessoas feridas em Erechim foi provocado por uma céula de tempestade isolada, mas muito intensa, segundo informações da MetSul Meteorologia.
O fenômeno afetou mais de 8,1 mil famílias e o número de pessoas afetadas foi de 32.456. Foram 5 mil casas danificadas, estrago que levou a prefeitura a decretar situação de emergência.
A tempestade severa teve início por volta das 16h40min. Em Erechim, o fenômeno avançou rapidamente, atingindo dezenas de bairros com muitos estragos. Na sequência, a célula de tempestade provocou granizo grande a gigante no interior do município de Getúlio Vargas.
- Erechim receberá ajuda emergencial de R$ 1,5 milhão após chuva de granizo
- “Foi a tragédia mais triste e devastadora possível”, diz prefeito de Erechim após granizo deixar mais de 110 feridos
O Serviço Nacional de Meteorologia dos Estados Unidos (NWS) possui quatro categorias para definir o tamanho de granizo: pequeno (menos de 2 centímetros), grande (2 cm a 4,5 cm), muito grande (4,5 cm a 7 cm) e gigante (maior que 7 cm). Uma vez que as pedras de gelo em vários pontos do Alto Uruguai tiveram diâmetros de 5 cm a 10 cm, o granizo que castigou a região na tarde desse domingo pode ser considerado grande a gigante. Dentro de uma nuvem Cumulunimbus de tempestade, partículas de gelo se desenvolvem a partir de água superresfriada.
As partículas caem em direção à parte inferior da nuvem devido à força da gravidade, mas são forçadas a subir por poderosas correntes ascendentes de ar dentro das nuvens (updrafts). Na parte superior da nuvem, eles encontram mais água superresfriada, que congela sobre as partículas de gelo, adicionando outra camada de gelo, o que se dá de forma repetida. Assim, os pequenos pedaços de gelo ficam cada vez maiores, tornando-se bolas de gelo, as pedras de granizo.
As pedras de granizo finalmente se tornam pesadas demais para serem elevadas de volta ao topo da nuvem e caem em terra. Devido à forma como se formam, o granizo tem uma estrutura em camadas, como uma cebola. Pedras de granizo realmente grandes, como as de ontem no Alto Uruguai, se formam em nuvens de tempestade com correntes ascendentes excepcionalmente fortes, como era o caso nas nuvens de tempestade que cresceram sobre o Norte gaúcho.
De acordo com a MetSul Meteorologia, uma massa de ar frio ingressou em altitude no Sul do Brasil durante o fim de semana e resfriou a parte superior da atmosfera em grande parte da região. Isto reduziu a altitude do ponto de congelamento. Na superfície, o resfriamento foi mais limitado e houve algumas áreas em que as temperaturas estiveram ainda relativamente altas.
Convecção é o processo pelo qual o ar quente sobe na atmosfera. Em dias quentes, o solo aquece intensamente e transfere calor para o ar logo acima, que se torna mais leve e começa a subir. À medida que esse ar quente sobe, ele se expande e esfria, fazendo com que o vapor d’água nele contido se condense e forme nuvens.
Quando a convecção é intensa, o movimento vertical do ar pode gerar nuvens muito altas com chuva forte e temporais. Foi o caso do Alto Uruguai na tarde de ontem. O aquecimento diurno com ar mais frio em altitude desencadeou a formação de um célula de tempestade bastante localizada que afetou Erechim e municípios próximos.
Ajuda emergencial
O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, afirmou nesta segunda-feira que acertou com a prefeitura de Erechim a liberação emergencial de R$ 1,5 milhão para auxiliar o município a minimizar os estragos sofridos no temporal de granizo, registrado nesse domingo.
Os recursos poderão ser usados para compra de telhas e outros itens necessários para as famílias atingidas.
Há pouco conversei mais uma vez com o Prefeito de Erechim, Paulo Polis, e ajustei a liberação emergencial de R$ 1.5 milhão do Estado ao Fundo da Defesa Civil do município para a compra de telhas que serão disponibilizadas às famílias em situação de vulnerabilidade atingidas pelo…
— Eduardo Leite (@EduardoLeite_) November 24, 2025