Verão

Área de proteção ambiental para recuperação de dunas é desrespeitada em Tramandaí

Cerca chegou a ser instalada para evitar o acesso de banhistas, mas foi danificada; Prefeitura diz que consertará estrutura hoje

Área em processo de recuperação ambiental na beira da praia em Tramandaí
Área em processo de recuperação ambiental na beira da praia em Tramandaí Foto : Pedro Piegas

Mesmo com sinalização indicando crime ambiental e uma cerca para impedir o trânsito de pedestres, banhistas insistem em atravessar uma área de preservação ambiental em Tramandaí, no Litoral Norte. A situação ocorre na avenida Beira Mar, em frente à avenida da Igreja, onde estacas foram removidas pelos próprios banhistas para para permitir a passagem.

O atalho é utilizado, principalmente, para reduzir o percurso até a faixa de areia em aproximadamente 50 metros. Entretanto, conforme autoridades, o acesso frequente de pessoas compromete o processo de recuperação das dunas.

Durante cerca de 30 minutos em que o Correio do Povo (CP) esteve no local, apenas um casal evitou espontaneamente utilizar a passagem, respeitando a sinalização de preservação. “A gente procura sempre fazer o certo. Se tem uma placa dizendo que é área de preservação, por que a gente vai entrar?”, questiona Elaine Regina Vargas da Silva, 65 anos, pedagoga aposentada e moradora de Canoas, que está veraneando na cidade. O marido, Claudio Roberto da Silva, 66, militar da reserva da Aeronáutica, reforça a importância de seguir as normas ambientais. “Procuramos sempre seguir o que está previsto pelas leis”, afirma.

A Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam) explica que o cercamento das dunas é uma medida essencial para a sua recuperação, evitando a remoção da areia pelo pisoteio e permitindo a recomposição da vegetação. Segundo a Fepam, a técnica mais utilizada para proteção dessas áreas é a instalação de cercas de madeira com espaçamento para permitir a passagem da areia. “O objetivo sempre será minimizar o impacto sobre as dunas evitando a passagem das pessoas”, informa o órgão ambiental.

O processo de recuperação das dunas é considerado fundamental para a proteção da orla marítima, pois esses ecossistemas atuam como barreiras naturais contra a erosão e os ventos fortes. Quando pisoteadas ou danificadas, as dunas perdem sua capacidade de retenção de areia, o que pode resultar no avanço do mar sobre áreas urbanizadas e na degradação do ambiente costeiro.

A Fepam alerta que municípios interessados em cercar áreas de dunas devem solicitar a Licença Única (LU) de plano de manejo de dunas e conflitos de urbanização, garantindo a legalidade das ações de preservação. No caso de descumprimento das normas, o município responsável pode ser notificado e multado.

Procurada, a Prefeitura de Tramandaí informou que a reconstrução da cerca já está programada. A Secretaria de Obras foi acionada para refazer a parte retirada pelos banhistas ainda na manhã desta quinta-feira (13). Segundo o município, a medida atende à sentença expedida em uma Ação Civil Pública, que determina a preservação das dunas na região.

Além da determinação judicial, a Prefeitura destaca que a Fepam exige a manutenção da área fechada, sob risco de penalização. “A cerca instalada no entorno das dunas é um obstáculo para contenção da areia, visando a reconformação das dunas”, declarou a administração municipal.

O descumprimento das regras de preservação ambiental pode acarretar não apenas impactos ecológicos, mas também prejuízos financeiros ao município, que deve arcar com multas e novos custos para a manutenção da área protegida.