Com a chegada do veraneio no Litoral Norte, aumenta também a preocupação com a possibilidade de afogamentos, ocasiões que podem resultar em mortes e demandam uma atenção dedicada por parte dos guarda-vidas em guaritas espalhadas pela região. Neste ano, de maneira inclusive atípica, o mar tem sido convidativo em praticamente todos os dias, requerendo ainda mais cuidados, já que o mar pode esconder seus riscos.
Para o coordenador administrativo da Operação Verão 2024/2025 do Corpo de Bombeiros Militar do RS (CBMRS), tenente-coronel Vinicius Lang dos Santos, alguns cuidados são necessários, como não consumir bebidas alcoólicas e se banhar no oceano, comportamento este comumente visto em jovens adultos, tido como a principal faixa etária que realiza tais ações arriscadas.
“A segunda maior causa de mortes no Brasil destas pessoas é por afogamentos. Esta combinação de álcool e beira de praia não funciona, porque a pessoa vai se sentindo mais encorajada, principalmente se estiver com algum amigo, e não respeita a sinalização. A pessoa vai adentrando ao mar, acha que tem conhecimento suficiente para se safar, quando na verdade está se colocando em risco”, salientou ele, reforçando que 15 pessoas morrem por dia no Brasil por esta causa.
Outro público que também precisa de cuidados maiores é o de crianças, que devem sempre estar acompanhadas de pais ou responsáveis e, no caso do banho de mar, à distância de um metro deles, no máximo, algo equivalente a um braço esticado. “É importante estar próximo, porque pode acontecer de haver uma corrente de retorno ou área de repuxo, e esta criança se distancia do pai ou da mãe”, comentou ele.
Como forma de reforçar a prevenção, as guaritas contam com distribuição de pulseiras de identificação aos pequenos. As estatísticas mostram que, neste veraneio, as ações preventivas têm sido em número maior do que nas operações anteriores. Do último dia 20 de dezembro até 3 de janeiro, foram feitos 179 salvamentos de banhistas somente no Litoral Norte, contra 134 no mesmo período da temporada anterior. Já em 2022/2023, foram apenas 20, e em 2021/2022, 89.
As prevenções em si, também no Litoral Norte, também aumentaram: na temporada atual, são mais de 74,1 mil, contra 37,3 mil no mesmo período de 2023/2024, 11,3 mil em 2022/2023 e 31,1 mil em 2021/2022. Já houve óbitos por afogamentos neste verão no litoral gaúcho, porém em áreas desguarnecidas pelos guarda-vidas. Por isso, as orientações gerais aos banhistas, de acordo com o tenente-coronel, incluem procurar tomar banho o mais próximo possível de guaritas ativas com guarda-vidas, além de observar as sinalizações: bandeira vermelha em uma guarita significa perigo no mar; amarela é atenção e verde é mar calmo.
“O banho seguro também é feito no famoso entre bandeiras, algo que importamos da Austrália para orientar nosso banhista aqui. A característica do mar gaúcho, de ser aberto, impõe muitos desafios. Também não se deve tomar banho em barras de rios, especialmente em Torres e Tramandaí, que têm águas profundas que podem arrastar uma pessoa, e ainda sempre buscar permanecer até a linha da cintura para evitar qualquer situação de risco”, observou o coordenador.