A temporada de verão 2024/2025 foi movimentada no Litoral Norte, com um fluxo intenso de turistas e um impacto positivo no comércio local. Segundo a economista-chefe da Fecomércio-RS, Patrícia Palermo, o saldo foi positivo, impulsionado principalmente pelo clima favorável, com pouca chuva e mar em boas condições.
Apesar disso, o setor não viveu um verão extraordinário e sentiu um impacto com o início antecipado das aulas. No comparativo com Santa Catarina, por exemplo, Patrícia avalia que, apesar de boa, o Rio Grande do Sul não viveu uma temporada extraordinária como o estado vizinho. “Isso ocorre porque o litoral gaúcho é, em grande parte, uma região de passagem para os turistas argentinos, enquanto as praias catarinenses são o destino final. Ainda assim, a presença de estrangeiros foi maior do que em anos anteriores, beneficiando setores como alimentação, hospedagem e combustíveis”, explica.
Janeiro foi o mês de maior movimentação, impulsionado pela ausência prolongada de chuvas e pela boa qualidade da água do mar. A meteorologia favorável ajudou a manter as praias cheias, o que refletiu diretamente no comércio. No entanto, a antecipação do calendário escolar impactou o período de alta temporada. "O Carnaval tardio costuma ser benéfico para o litoral, mas o retorno das aulas em 10 de fevereiro deslocou uma grande quantidade de pessoas de volta para casa antes do feriadão", analisou Patrícia.
Embora ainda não haja dados exatos sobre o desempenho do comércio no Litoral Norte, os relatos indicam um verão alinhado às expectativas. "Não tivemos surpresas negativas, o que é um bom sinal. Foi um verão forte, mas não extraordinário", afirmou a economista. O setor de bares e restaurantes se destacou, como ocorre tradicionalmente, enquanto o varejo registrou um bom desempenho, mas sem grandes variações.
Outro fator relevante é a crescente permanência de moradores na região ao longo do ano. Nos últimos anos, muitas famílias migraram para o litoral, um movimento intensificado pela pandemia e, mais recentemente, pelas enchentes que afetaram outras áreas do Estado. "Com uma população fixa maior, o impacto da temporada acaba sendo um pouco menor proporcionalmente, mas ainda assim essencial para a economia local", observou Patrícia.
Finalizada a temporada de verão, a expectativa dos comerciantes é manter um bom fluxo de visitantes nos próximos meses, aproveitando eventos programados nas cidades litorâneas. "Os municípios têm buscado alternativas para manter o turismo ativo durante o ano inteiro, o que ajuda a reduzir a dependência da alta temporada", concluiu Patrícia.