A quinta-feira começou com um cenário pouco convidativo para quem buscava sol e mar em Tramandaí, no Litoral Norte. O vento constante, a sensação térmica baixa e a chuva afastaram os banhistas da beira da praia e tornaram ainda mais raro quem se aventurasse a entrar no mar.
Nas guaritas, a bandeira vermelha indicava risco aos frequentadores. Com poucas pessoas espalhadas pela faixa de areia, o chimarrão, caminhadas rápidas e atividades improvisadas passaram a ser as principais alternativas para os veranistas que decidiram não retornar para casa. Em comum, a tentativa de adaptar o lazer ao clima instável.
Vindas de Porto Alegre para passar o dia, as aposentadas Maria da Graça, moradora do bairro Nonoai, e Sirlei Grassi, do bairro Teresópolis, encararam a situação com bom humor. “Viemos de Porto Alegre para passar o dia. É muito azar. Aparecia no aplicativo um dia maravilhoso”, contou Sirlei.
Segundo ela, a ideia agora era aproveitar de outra forma. “Vamos passar o dia e fazer algo diferente. A esperança é que o tempo melhore ao longo do dia", acrescenta.
Maria da Graça disse que o reencontro das amigas acabou sendo marcado pelo improviso. “Fazia anos que a gente não se encontrava. Bem 'farofeiras', trouxemos tudo. Quando chegamos perto, dissemos: ‘não acredito’. Só não trouxemos jaqueta”, brincou.
Para ela, o clima virou parte da experiência. “É uma aventura, vamos fazer diferente. Pior é a gente ver as crianças que descem com os pais e precisam voltar pro carro", afirma.
Entre os poucos grupos que permaneceram na areia, estava uma família que veio de Rivera, no Uruguai. O profissional de TI Juan Pedro de León, de 50 anos, chegou a Tramandaí na quarta-feira e fica até sábado, antes de seguir viagem para Santa Catarina. “Ontem estava bom, tinha vento forte, mas estava bom. A gente tomou banho toda a tarde. Ontem foi ótimo, hoje é que ficou meio complicado o clima”, relatou.
Mesmo com a chuva, a família decidiu insistir na ida à praia.
“A filha queria vir para a praia, então tivemos que vir, não teve jeito, mas ficamos longe do mar”, disse Juan.
Segundo ele, ao chegar, a família já sabia que o tempo não ajudaria, mas resolveu aproveitar da mesma forma. " A gente foi na ponte entre Tramandaí e Imbé, depois veio para a praia. Já sabia que estava feio, mas já estamos aqui", completa.
Ao lado da esposa, Nibia de Melo, e das filha, Belém, improvisou uma espécie de barraca com um guarda-sol para se proteger do vento e da chuva. Enquanto isso, a filha aproveitava a faixa de areia para construir castelos. “A gente improvisou aqui a barraca para se proteger. O vento está forte e está chovendo, mas não dá para perder”, concluiu.