De Guaíba ao Chuí, a Costa Doce Gaúcha reúne alguns dos cenários mais singulares do Rio Grande do Sul. Formada por municípios às margens da Lagoa dos Patos, da Lagoa Mirim e do Oceano Atlântico, a região combina praias de água doce e mar, áreas de preservação ambiental, cidades históricas, produção rural e uma gastronomia marcada pela diversidade.
Pelotas, Rio Grande, São Lourenço do Sul, Camaquã, Tapes e Arambaré estão entre os destinos que ajudam a compor essa identidade.
A poucos dias do início do verão, o território voltou a ganhar destaque na agenda estadual. No último final de semana, o Festival Viva o RS – edição Costa Doce marcou a abertura da temporada e funcionou como vitrine das potencialidades da região. No sábado e domingo, 3 mil pessoas passaram pela Praça da Baronesa, em Pelotas.
O evento reuniu mais de 20 estandes de produtores locais, apresentando ao público um recorte das experiências que podem ser vividas ao longo da Costa Doce. O festival integra uma estratégia do Estado voltada à valorização do território, com a intenção de sustentar o crescimento do setor turístico e ampliar o alcance do destino.
O secretário estadual do Turismo, Ronaldo Santini, destaca que o fortalecimento da região passa, necessariamente, pela qualificação da oferta local.
“Neste evento passam milhares de pessoas para vivenciar experiências, mas o espetáculo precisa continuar. O turismo não é uma prova de velocidade, é de resistência”, afirma.
Segundo ele, a capacitação de produtores e empreendedores ocorre com o apoio de entidades como Sebrae, Emater e Senar. A discussão acontece em um momento favorável para o turismo gaúcho. O Rio Grande do Sul liderou o ranking nacional de entrada de turistas estrangeiros nos primeiros meses de 2025, com mais de 1,1 milhão de visitantes internacionais, a maioria oriunda da América do Sul.
Para o Estado, o desafio agora é ampliar o mapa desses fluxos, levando parte desse público para regiões que ainda não estão consolidadas no imaginário turístico, como a Costa Doce.
Para Charles Rossner, diretor de uma empresa de turismo no Rio Grande do Sul, a região reúne atributos suficientes para esse avanço, desde que haja estratégia. Segundo ele, promoção qualificada, infraestrutura, conhecimento prévio do destino e posicionamento digital são elementos centrais para colocar a região no radar.
“Temos turistas argentinos e uruguaios que passam pela Costa Doce a caminho do litoral. Um trabalho importante é pensar em como reter esse visitantes por dois ou três dias porque há muita coisa para aproveitar em relação à cultura e à gastronomia”, observa.
A proposta de trabalhar o turismo a partir do reconhecimento do território também orienta o Viva o RS, plataforma criada em 2020 pela Wine Locals em parceria com o Sebrae e com patrocínio do governo do Estado.
De acordo com o diretor de Operações da Wine Locals, Matheus Vigel, o desenvolvimento começa pelo olhar interno.
“Promover essa região é reconhecer a força produtiva e cultural local e ampliar o mapa de experiências”, afirma.
A advogada Márcia Almeida, pelotense que vive em Porto Alegre há 15 anos, antecipou uma viagem a trabalho para participar do evento e se surpreendeu com os produtos desenvolvidos na Costa Doce. “Nossa região tem muitas coisas boas, e acho que o resto do Rio Grande do Sul precisa conhecer”, resume.
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O interesse crescente pelo território também aparece nas propostas debatidas na Consulta Popular Estadual de 2025, que incluiu projetos voltados ao fortalecimento da identidade turística da Costa Doce.
Entre as iniciativas, estão ações de sinalização padronizada e marketing integrado, com o objetivo de qualificar a experiência do visitante, promover uma identidade visual unificada e estimular o desenvolvimento regional.
O que é a Costa Doce?
Faixa territorial do Sul do Estado que se estende pelas margens da Lagoa dos Patos, da Lagoa Mirim e do Oceano Atlântico. Reúne cerca de 33 municípios e se destaca pela biodiversidade, patrimônio cultural e paisagens que alternam praias de água doce, dunas, banhados e áreas de preservação ambiental.
Principais cidades
- Pelotas – arquitetura histórica e tradição dos doces coloniais, sede da Fenadoce.
- Rio Grande – um dos portos mais antigos do país, com destaque para a Ilha dos Marinheiros e a Festa do Peixe.
- São Lourenço do Sul – praias da Lagoa dos Patos e forte presença no turismo de verão.
- Camaquã, Tapes e Arambaré – destinos menores, com praias de água doce e clima de interior.
Como chegar
Acesso principalmente pelas pela BR 116 e pela BR 392, que ligam Porto Alegre ao Sul do Estado. De carro, o trajeto até Pelotas leva cerca de 3h30min.
Quando ir
Pode ser visitada o ano inteiro. O verão concentra maior movimento, enquanto outono e primavera oferecem tranquilidade. No inverno, eventos como a Fenadoce mantêm o fluxo de visitantes.