Antes mesmo que os primeiros banhistas estendam as toalhas, montem seus guarda-sóis e abram suas cadeiras na areia, a rotina dos guarda-vidas no Litoral Norte do Rio Grande do Sul já começou. O dia de trabalho inicia com um olhar atento para o mar, em um ritual que se repete diariamente e que faz toda a diferença para a segurança de quem aproveita a praia.
“Quando o guarda-vidas chega à beira da praia, a primeira coisa que ele faz é identificar o mar. As condições mudam muito de um dia para o outro”, explica o coordenador da Operação Verão do Corpo de Bombeiros Militar (CBMRS), major Jocemarlon Acunha Pereira - o major Acunha.
Buracos na areia, correntes de retorno e o comportamento das ondas são observados com cuidado antes mesmo da definição da área liberada para banho. A partir dessa leitura inicial, o profissional delimita o espaço seguro próximo à guarita, instalando as bandeiras que orientam os banhistas. Verde, amarelo ou vermelho, a cor varia conforme o risco apresentado naquele trecho da praia. Caso seja identificada uma corrente de retorno mais intensa ou outro perigo específico, o local é sinalizado como impróprio para banho.
Com a área demarcada, o guarda-vidas assume seu posto. À frente da guarita, ele constrói um pequeno monte de areia. A função é simples, mas importante: permitir um salto rápido, sem perder segundos descendo escadas, em caso de resgate ou salvamento.
- Situação é crítica na Lagoa do Peixoto, no Litoral Norte
- Vento e maré alta não afastam banhistas da praia em Atlântida
- Projeto Resgate Surf no Sul leva educação ambiental e iniciação esportiva a jovens em Xangri-Lá
A atenção, no entanto, não se limita a emergências. A maior parte do trabalho é preventivo. Sempre que alguém ultrapassa a altura da cintura, o apito soa e o guarda-vidas se aproxima para orientar ou retirar a pessoa da água. “A prevenção é constante. Nosso objetivo é evitar que o salvamento precise acontecer”, reforça o major.
Por trás desse trabalho diário, há meses de preparação. Antes de atuar, o candidato passa por testes físicos rigorosos, que incluem corrida e natação, além de um curso com cerca de 20 dias de duração. Nesse período, aprende desde o comportamento do mar até técnicas de resgate com uma ou mais vítimas, uso de equipamentos como nadadeiras e o life belt, além de noções de atendimento pré-hospitalar.
Mesmo quem já é experiente precisa se manter apto. Guarda-vidas veteranos passam por bancas de reavaliação e recertificação antes de cada temporada. “Não adianta só provar que chegou bem. Ele precisa se manter bem. A água exige muito preparo físico”, destaca Acunha.
Durante a Operação Verão, treinamentos continuam acontecendo, muitas vezes no turno inverso, por iniciativa dos próprios profissionais ou organizados pelos comandantes de cada praia. Cerca de 800 guarda-vidas, entre militares e civis, estão atuando para proteger os veranistas gaúchos.
Outro aspecto que vem se fortalecendo ao longo dos anos é a presença feminina nas guaritas. Bombeiras militares, brigadianas e guarda-vidas civis temporárias atuam lado a lado com os homens. “A mulher está totalmente capacitada para fazer qualquer tipo de resgate”, afirma o major. Atualmente, uma bombeira militar é comandante de praia em Arroio do Sal e também instrutora do curso de salvamento no mar.