Verão

Entre bandeiras, apitos e atenção constante, veja como é a rotina dos guarda-vidas no Litoral Norte

Muito além da guarita, profissionais monitoram o mar desde o primeiro olhar do dia e passam por treinamento contínuo para garantir a segurança dos banhistas

Rotina inclui uma série de atividades diárias para agir rápido em caso de salvamentos
Rotina inclui uma série de atividades diárias para agir rápido em caso de salvamentos Foto : Fabiano do Amaral

Antes mesmo que os primeiros banhistas estendam as toalhas, montem seus guarda-sóis e abram suas cadeiras na areia, a rotina dos guarda-vidas no Litoral Norte do Rio Grande do Sul já começou. O dia de trabalho inicia com um olhar atento para o mar, em um ritual que se repete diariamente e que faz toda a diferença para a segurança de quem aproveita a praia.

“Quando o guarda-vidas chega à beira da praia, a primeira coisa que ele faz é identificar o mar. As condições mudam muito de um dia para o outro”, explica o coordenador da Operação Verão do Corpo de Bombeiros Militar (CBMRS), major Jocemarlon Acunha Pereira - o major Acunha.

Buracos na areia, correntes de retorno e o comportamento das ondas são observados com cuidado antes mesmo da definição da área liberada para banho. A partir dessa leitura inicial, o profissional delimita o espaço seguro próximo à guarita, instalando as bandeiras que orientam os banhistas. Verde, amarelo ou vermelho, a cor varia conforme o risco apresentado naquele trecho da praia. Caso seja identificada uma corrente de retorno mais intensa ou outro perigo específico, o local é sinalizado como impróprio para banho.

Com a área demarcada, o guarda-vidas assume seu posto. À frente da guarita, ele constrói um pequeno monte de areia. A função é simples, mas importante: permitir um salto rápido, sem perder segundos descendo escadas, em caso de resgate ou salvamento.

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A atenção, no entanto, não se limita a emergências. A maior parte do trabalho é preventivo. Sempre que alguém ultrapassa a altura da cintura, o apito soa e o guarda-vidas se aproxima para orientar ou retirar a pessoa da água. “A prevenção é constante. Nosso objetivo é evitar que o salvamento precise acontecer”, reforça o major.

Por trás desse trabalho diário, há meses de preparação. Antes de atuar, o candidato passa por testes físicos rigorosos, que incluem corrida e natação, além de um curso com cerca de 20 dias de duração. Nesse período, aprende desde o comportamento do mar até técnicas de resgate com uma ou mais vítimas, uso de equipamentos como nadadeiras e o life belt, além de noções de atendimento pré-hospitalar.

Mesmo quem já é experiente precisa se manter apto. Guarda-vidas veteranos passam por bancas de reavaliação e recertificação antes de cada temporada. “Não adianta só provar que chegou bem. Ele precisa se manter bem. A água exige muito preparo físico”, destaca Acunha.

Durante a Operação Verão, treinamentos continuam acontecendo, muitas vezes no turno inverso, por iniciativa dos próprios profissionais ou organizados pelos comandantes de cada praia. Cerca de 800 guarda-vidas, entre militares e civis, estão atuando para proteger os veranistas gaúchos.

Outro aspecto que vem se fortalecendo ao longo dos anos é a presença feminina nas guaritas. Bombeiras militares, brigadianas e guarda-vidas civis temporárias atuam lado a lado com os homens. “A mulher está totalmente capacitada para fazer qualquer tipo de resgate”, afirma o major. Atualmente, uma bombeira militar é comandante de praia em Arroio do Sal e também instrutora do curso de salvamento no mar.