Verão

Escala de folgas dos guarda-vidas faz guaritas ficarem vazias e gera reclamação no litoral

Bombeiros orientam banhistas a buscarem guaritas próximas

Ausência de guarda-vidas na guarita 80 gera reclamação em Capão da Canoa.
Ausência de guarda-vidas na guarita 80 gera reclamação em Capão da Canoa. Foto : Fabiano do Amaral

Uma guarita de guarda-vidas sem guarda-vidas. Essa é a reclamação de frequentadores do posto nº 80, localizado no Centro de Capão da Canoa, no Litoral Norte. A estrutura fica no final da rua Ubirajara, conhecida como “rua da santinha”, em referência à imagem instalada no calçadão. O posto está em uma área movimentada da praia, próxima a quiosques, prédios residenciais e com grande circulação de banhistas.

Apesar disso, o relato dos frequentadores é de que nem sempre há profissionais no alto da guarita. O Corpo de Bombeiros esclarece que algumas estruturas podem ficar inativas em determinados dias e áreas com menor fluxo de pessoas, como forma de garantir as folgas semanais dos guarda-vidas.

"Cadê o salva-vidas?”

“A correria começa às 11h e a gente para de fazer pedidos em torno das 15h, 16h. É uma região de muita família, muita criança, então faz muita falta. O pessoal questiona: ‘cadê o salva-vidas?’”, relata Camila Padilha, atendente de um quiosque próximo à guarita 80.

Ausência de guarda-vidas na guarita 80 gera reclamação em Capão da Canoa. | Foto: Fabiano do Amaral

A ausência de profissionais gera preocupação entre os frequentadores. No dia da visita da reportagem, havia dois guarda-vidas no posto. Camila conta, no entanto, que a guarita costuma ficar vazia às segundas e terças-feiras e, eventualmente, também às quartas.

“Essa semana, um salva-vidas da guarita 79 veio chamar a atenção de algumas pessoas que estavam mais ao fundo. Eles ouviram e saíram. Mas ontem foi colocada a bandeira preta, que indica perigo. Não sei se a bandeira foi colocada por não ter salva-vidas ou se realmente o mar estava perigoso, mas não tinha nenhum profissional no local”, relata.

A falta de guarda-vidas também impacta na orientação ao público que frequenta a área, como no atendimento a queimaduras causadas por água-viva, em que o vinagre — disponível em todas as guaritas — é utilizado. “Teve semanas em que o mar estava cheio de água-viva e aqui no nosso quiosque foram usados dois tubos de vinagre, porque a gente disponibiliza para os veranistas”, afirma Camila.

Outro banhista, que prefere não se identificar, conta que está na praia há cerca de um mês e também percebeu a ausência de guarda-vidas na guarita 80. “Eu reparei umas duas ou três vezes que não tinha ninguém ali”, afirma. Assim como Camila, ele diz não ter presenciado afogamentos no local durante esses períodos, mas ressalta que “com certeza, tendo salva-vidas, o pessoal se sente mais seguro”.

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Escala de folgas

O coordenador administrativo da 9ª Operação Verão, tenente-coronel Vinicius Lang, explica que as 198 guaritas do Litoral Norte são divididas entre permanentes e não permanentes.

“Nós temos a modalidade de guarita não permanente, em que há intervalos no atendimento. Nesses casos, ficam dois profissionais pela manhã e dois à tarde, com intervalo para o almoço, cumprindo uma jornada de oito horas diárias e com folga semanal. Já nas guaritas permanentes, localizadas nos principais balneários, o serviço não é interrompido. São dois guarda-vidas pela manhã e dois à tarde, em escala corrida, de domingo a domingo, alternando os turnos”, detalha Lang.

Tenente coronel do Corpo de Bombeiros Militar, Vinícius Lang | Foto: Fabiano do Amaral

Segundo o coordenador, a ausência relatada pelos frequentadores ocorre em função da necessidade de garantir períodos de descanso aos profissionais. “Como é preciso assegurar a folga semanal, eventualmente fazemos uma seleção em áreas menos populosas, deixando algumas guaritas desativadas em determinados dias. Isso ocorre sempre durante a semana, nunca em dias de grande movimento, priorizando o atendimento nos períodos de maior demanda”, explica.

Lang afirma ainda que, sempre que uma guarita está desativada, um aviso é afixado na estrutura, orientando os banhistas a permanecerem próximos da guarita seguinte, que esteja com profissionais em serviço.

Apesar da justificativa baseada na escala de trabalho, o coordenador reconhece limitações no efetivo. “Temos, evidentemente, um déficit de pessoal, o que impede o preenchimento de todos os espaços ao longo do litoral do Estado. Por isso, a distribuição do efetivo é feita com base no número de ocorrências, no aumento populacional e na demanda de cada local”, afirma.

Atualmente, segundo Lang, 1.040 homens e mulheres atuam na Operação Verão 2025/2026, incluindo guarda-vidas militares e civis, além do efetivo administrativo e de reforço operacional. No Litoral Norte, são cerca de 800 profissionais em serviço nas guaritas. A carga máxima de efetivo permanece até 22 de fevereiro, quando começa a desmobilização parcial dos guarda-vidas militares. Os civis seguem atuando até o fim de março, quando se encerra a Operação Verão.

Sinalização de locais seguros para banhos na praia de Capão da Canoa. | Foto: Fabiano do Amaral