A geografia do Rio Grande do Sul coloca ele em lado oposto ao mar nos finais de tarde. Quando desaparece no céu, seus últimos raios geralmente indicam que é momento de se recolher. Não faltam locais no Litoral Norte em que o pôr do sol oferece um espetáculo de tirar o fôlego, mas poucos oferecem uma contemplação tão única quanto a barra do rio Tramandaí, entre os municípios de Tramandaí e Imbé.
Todos os dias, dezenas de pessoas, entre famílias, casais de namorados, pescadores e curiosos se juntam para apreciar o momento, e o ponto favorito é o lado de Imbé da barra. Não há um paradouro próprio para veículos no lado neste ponto do rio, portanto o estacionamento é na areia, que por sinal, segundo os moradores, estava mais visível no domingo do que o habitual. Ou seja, o rio era mais baixo.
Para pescadores como Fabrício Jeremias, 49 anos, morador de Mariluz, em Imbé, que contou atuar desde menino na função, o crepúsculo do final de tarde é a melhor hora do dia para a atividade. “Estou aqui para brincar mesmo. Teve dias em que consegui pegar a tarrafa cheia, uns 15 quilos de sardinha, jogando ela o dia todo”, contou, garantindo não ser história de pescador. Neste pôr do sol, muitas coisas ocorrem ao mesmo tempo, que parece parar. Logo ao lado, garças e biguás revoam na areia, disputando os peixes com os humanos, seja no rio ou furtando-os das caixas.
Pôr do Sol no Rio Tramandaí encanta turistas e pescadores locais
Um caiaque amarrado em um toco de madeira cravado próximo navega sem sair do lugar. e quando o sol baixo faz o céu virar de azul para alaranjado, e depois enegrecido, quem sobem são as câmeras dos celulares. Ali perto, o policial militar Renato Bergmann, sua esposa, a dona de casa Cristiele Graebin Bergmann e o filho do casal, Pedro, 15 anos, todos de Novo Hamburgo, no Vale do Sinos, admiravam todo o cenário.
“É o momento em que a gente vem para cá curtir este pôr do sol maravilhoso. O som da lagoa também traz uma paz para nós. É um espetáculo que às vezes as pessoas não têm conhecimento”, disse Renato.
Enquanto isso, desta vez, Fabrício não deu muita sorte em sua função. Jogou a tarrafa uma, duas, três vezes, e pouco veio. “Peguei um bagre”, disse o pescador, observado de perto pelo pai, Lourenço Jeremias, 80, com quem aprendeu o ofício. Renato apontou para a tarrafa, onde havia um peixe cuja pesca é proibida. Assim, ele o depositou de volta ao rio. Para o profissional, não há problema se a pesca não for conforme o esperado. O dia de hoje se foi, mas ambos, Renato e o sol, amanhã voltarão.