Verão

Famoso “cãodomínio” à beira da ERS 407 busca apoio para manter legado de fundador

Espaço que já abrigou mais de 200 animais enfrentou dificuldades desde a morte do idealizador, em janeiro deste ano

Novos tutores buscam apoio para manter atendimento
Novos tutores buscam apoio para manter atendimento Foto : Pedro Piegas

É quase impossível não notar. Quem vem de Maquiné na direção de Capão da Canoa pela ERS 407, ao chegar nas imediações do KM 4, se depara com cerca de 50 casinhas caninas na margem esquerda da rodovia. Os abrigos, coloridos e guarnecidos com guarda-sóis, já são elementos da paisagem, assim como o conjunto de árvores que ajudam com a necessidade de sombra aos peludos. É o Sítio São Francisco de Assis, também conhecido como Cão-domínio, espaço que preserva uma história de mais de 35 anos de amor e proteção aos animais e que precisa de ajuda para continuar.

Sítio tem mais de 35 anos de trabalho pelos animais | Foto: Pedro Piegas

Foi a partir da preocupação com cães abandonados no litoral Norte na temporada de verão, muitos deles à beira da estrada, que o radialista Paulo Roberto Silvelio Giglio, o Paulinho da Filler, criou o refúgio canino. Por décadas ele o manteve, porém Paulinho faleceu em janeiro deste ano, aos 72, em decorrência de um câncer. No auge, o espaço era refúgio de 207 cachorros de diferentes portes e raças, cavalos e até tartarugas.

“O Paulinho se dedicava a animais abandonados, atropelados, agredidos e em situações próximas à morte. Dizia que tinha essa missão e se dedicava sempre a eles. Pela memória do Paulinho nós seguimos com o mesmo carinho”, explica o autônomo Edson Flávio Rodrigues, 48 ​​anos, que cuida do refúgio desde a morte do fundador.

Junto com a esposa, Rose Mota, 40, Rodrigues tenta manter a rotina do sítio. Atualmente 42 cães estão no espaço. “Depois que o Paulinho adoeceu e ficou impossibilitado de manter o canal, ele sempre procurou quem pudesse continuar a história”, conta Rodrigues.

Mesmo com menos peludos, a estrutura pensada pelo fundo é mantida. Todos os animais fêmeas são castrados e recebem atenção necessária de medicação, ração e abrigo.

“A gente tem um carinho especial por todos eles, cada um tem um nome, cada um é um filho que a gente tem. Todas as casinhas têm o seu guarda-sol. Eu tiro e coloco conforme a previsão do tempo para não estragar”, diz o novo tutor do espaço.

Além de alimentação – mais de cem quilos de ração por dia – e medicamentos, outras despesas como o material de limpeza pesam no orçamento do Cão-Domínio. Por isso, Rodrigues e Rose estão sempre de braços abertos para receber doações de quem se preocupa com os animais e quer ajudar com a manutenção da atividade.

“Ainda estamos aprendendo. O Paulinho tinha o apoio de veterinários que fez o atendimento cobrando menos, mas ele também tinha muito conhecimento. Os gastos são altos e precisamos de ajuda”, comentou o cuidador.

Muitos dos animais estão há muito tempo vivendo no Sítio São Francisco de Assis. A maioria é sem raça definida, o popular e querido vira-lata. Para o casal, todos são iguais, “do mais recente ao mais antigo”, completa a nova “síndica” do Cão-domínio.

Atração turística

O sítio é um lugar tão conhecido que atrai atenção no caminho para Capão da Canoa. Com frequência são vistos carros passando mais devagar para uma fotografia de recordação e crianças abanando para os cães. Tem ainda os que param para fazer carinho nos patudos e patudas que moram no lugar. Os cães e a memória de Paulinho da Filler – com a fotografia presente em um banner instalado na margem da rodovia – agradecem.

Como ajudar

Quem quiser realizar doações de ração, medicamentos, material de limpeza ou apoio veterinário pode fazer contato com o casal pelo WhatsApp (51) 992336126.