No final de janeiro, o movimento na pacata rua do balneário Jardim Olívia, em Arroio do Sal, já não é tão intenso como no período do Ano Novo. Ainda assim, a presença de veranistas paraguaios mantém viva a tradição que há décadas transforma o local em um reduto do país vizinho.
O balneário Jardim Olívia começou a ganhar popularidade entre os paraguaios graças a Lúcio Sandoval, ator e diretor de cinema que desbravou o local há mais de 40 anos. Ele comprou um terreno no balneário e, aos poucos, atraiu vizinhos, amigos e outros conterrâneos, muitos deles também figuras conhecidas no Paraguai. Sandoval faleceu em 2017, mas sua viúva mantém a tradição, passando os verões na casa da família, localizada na rua que, até hoje, recebe visitantes do país vizinho.
A praia, também conhecida pela sua simplicidade e tranquilidade, começou a ser ocupada por paraguaios nos anos 1970. Entre os pioneiros também está o ex-político Atílio Rolando Fernandes Isflam, de 90 anos. “Estou em Arroio do Sal desde 1978, quando essa área era praticamente vazia. Agora, o Jardim Olívia está muito charmoso. Eu fico apenas 30 dias, mas a casa fica à disposição da família durante o ano”, conta.
Atílio, que vive em Assunção, capital paraguaia, e já foi deputado, ministro e embaixador, atribui a ocupação ao bom estar dos primeiros compradores. “Os paraguaios que vieram eram empresários, políticos e gente com boas condições. Conheci o balneário por um amigo e comprei meu espaço aqui. Desde então, minha família vem todo ano para escapar do calor do Paraguai e aproveitar o mar”, relata.
Luis Gadea, de 75 anos, também faz parte dessa história de longa data. Ele frequenta Jardim Olívia há 45 anos e lembra como a praia era deserta no início. “Quando comecei a construir, aqui era tudo mato. Só tinha a casa do Lúcio Sandoval e a minha. Hoje temos até Corsan, mas ainda falta melhorar o acesso”, comentou
Morador de Assunção, Gadea faz o trajeto de 1.330 quilômetros com a esposa, dividindo a viagem em duas etapas. “Passar pela Argentina é mais perto, mas dá muita dor de cabeça na fronteira, então venho por Foz do Iguaçu. Aproveito para descansar no caminho e chegar cedo para curtir a praia e preparar um churrasco”, explica.
O balneário, que nasceu em uma antiga fazenda, se tornou ponto de encontro para famílias e amigos paraguaios. Gadea conta que o número de visitantes cresce a cada ano, especialmente no final de dezembro e início de janeiro. “Nesta temporada, só na casa da viúva do Lúcio Sandoval vieram 26 pessoas. Agora, já retornaram ao trabalho, mas muitos voltam no próximo verão”, conclui.