A grande procura por locações no litoral gaúcho preocupa os guarda-vidas militares e civis que vão atuar em praias e balneários. O aumento do público e o comportamento de exagero e excessos já verificados no veraneio passado representam um grande desafio para aqueles que zelam pela vida dos banhistas. Por isso, com foco em ações de conscientização à beira-mar, ocorrerá neste domingo, às 10h, no Largo do Baronda, em Capão da Canoa, o lançamento da Operação RS Verão Total 2021/2022.
Os números de óbitos e salvamentos da edição anterior, quando foram registradas 12 mortes por afogamento no Rio Grande do Sul no período de 19 de dezembro a 28 de fevereiro, deixam em alerta o chefe da assessoria de Operações do Corpo de Bombeiros Militar do Rio Grande do Sul (CBMRS), tenente-coronel Isandré Antunes. "No ano passado (Operação Verão 2020/21), mesmo no período de pandemia do novo coronavírus tivemos 12 óbitos durante toda operação. É um número muito alto, não ultrapassávamos dez mortes desde 2005", observa.
Para evitar afogamentos e reforçar a atuação à beira-mar, 948 guarda-vidas vão atuar em 275 postos de salvamentos de praias e balneários. O Litoral Norte contará com 209 guaritas, enquanto o Litoral Sul terá 30. Em águas internas, serão mais 36. "O comportamento agressivo dos banhistas veio em consequência da questão da pandemia. O pessoal apresentou um comportamento de exagero e excessos no ano passado, acontecendo essa fatalidade de 12 mortes durante o veraneio", ressalta. "Esperamos um cenário pior que no ano passado", projeta.
De acordo com Antunes, desde outubro são realizados treinamentos e capacitações no litoral. E desde 7 de dezembro alguns guarda-vidas já atuam em caráter permanente. "A expectativa é que o banhista vai vir com ímpeto maior do que no ano passado. As pessoas ficaram 'trancadas' por um tempo e vão acabar vindo para o litoral. A lotação de aluguéis, locações, indicam aumento de público no verão", revela. Outro desafio é o número menor de guarda-vidas militares e civis. Ele alerta que os banhistas precisam adotar comportamento moderado e buscar locais com guarda-vidas. "A população precisa se conscientizar e acatar as recomendações dos guarda-vidas", afirma.
Entre os equipamentos estão 12 quadriciclos, que contam com aparelho desfibrilador integrado. A intenção é agilizar o resgate de emergências cardíacas em áreas distantes das guaritas da corporação. Para acelerar o tempo de resposta e o alcance nas situações que exigirem o resgate de vítimas em águas internas e nas praias dos litorais Norte e Sul do RS, mais 14 motos aquáticas vão reforçar o efetivo. "Vamos utilizar as motos aquáticas em balneários e praias de água salgada", reforça.
Sinalização na beira da praia
Antunes explica que o sistema de bandeiras de sinalização na beira da praia está mantido, com a delimitação da área de banho indicada por meio de flâmulas coloridas: verde, amarelo e vermelho. Cada uma definirá uma raia delimitada. As chamadas áreas de coberturas terão 300 metros, 200 metros e 100 metros de acordo com o grau de periculosidade do mar. A bandeira verde indica que o mar está bom, sem buracos e poucas formações de ondas, com correntes fracas ou inexistentes. Neste caso, a área de cobertura do guarda-vidas é de 300 metros, sendo 150 metros de distância à direita ou à esquerda do posto de salvamento.
A bandeira amarela sinaliza que a água oferece risco para o banho, com necessidade de atenção. O banhista deve tomar cuidado com ondas, buracos e correntes de retorno. Nesse caso, a área de cobertura do guarda-vidas é de 200 metros, sendo 100 metros de distância à direita ou à esquerda da guarita. E a bandeira vermelha indica que o mar está muito perigoso, com grandes ondas, muitos buracos e correnteza forte. Crianças e pessoas com dificuldade de locomoção podem ser arrastadas. O banho não é recomendado e o risco de emergência aquática aumenta. Nesse caso, a área de cobertura do guarda-vidas é de 100 metros, sendo 50 metros de distância à direita ou à esquerda do posto de salvamento (guarita).