Após meses de indefinição e polêmica em torno da licitação dos quiosques da orla, comerciantes começaram a operar nos pontos de Torres, no Litoral Norte, nos dias que antecederam o Natal. A movimentação ocorre antes da completa oficialização do processo, como forma de reduzir prejuízos acumulados ao longo do período em que o edital foi anulado, refeito e submetido a novas etapas administrativas.
Apenas no dia 23 de dezembro, já em meio ao começo da temporada de verão, a Prefeitura de Torres informou que estava liberada a assinatura dos contratos dos quiosques, após a homologação do processo licitatório. Segundo nota publicada pelo Executivo, os vencedores puderam assinar os contratos de forma digital, para que as etapas finais de regularização sejam concluídas.
Antes disso, no entanto, alguns quiosques já haviam sido instalados e iniciaram atendimento ao público. A abertura antecipada ocorreu em meio à pressão do calendário da temporada de verão e ao receio de novos prejuízos financeiros por parte dos vencedores da licitação.
De acordo com um dos quiosqueiros ouvidos pela reportagem – que por medo de complicações preferiu não se identificar –, a decisão de iniciar as atividades ocorreu de forma coletiva. “A gente acabou se moldando à situação que foi criada. Pelo edital, a entrada estava prevista para dezembro, então optamos por cumprir o que estava estabelecido ali e começar a operar”, relatou. Segundo ele, a medida buscou minimizar perdas após semanas de incerteza.
Ainda conforme o comerciante, a montagem das estruturas ocorreu de forma acelerada e seguia em andamento em pleno Natal. “Nem tudo está pronto ainda. Foi tudo feito em cima da hora, com muita correria”, disse. Ele afirma que, em um cenário normal, a operação teria começado ainda em outubro, o que permitiria um planejamento mais tranquilo para a temporada.
O quiosqueiro também mencionou que a demora gerou impactos financeiros, mas evitou detalhar valores ou responsabilizações diretas. “Houve prejuízos, sim, principalmente pelo atraso. Os próprios veranistas não terão acesso neste primeiro momento à qualidade de atendimento que a gente conseguiria dar em circunstâncias normais. Agora a ideia é trabalhar, atender bem e tentar recuperar o tempo perdido”, afirmou.
O impasse envolvendo os quiosques teve início em outubro, após a prefeitura anular o edital anterior, alegando falhas administrativas, o que levou à abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara de Vereadores para apurar o caso.
Com a liberação da assinatura dos contratos, a expectativa é de que o processo seja finalmente regularizado nos próximos dias. A Prefeitura de Torres foi procurada para falar sobre a situação, porém, até o fechamento desta matéria, ainda não havia se manifestado.