Verão

Ninhos na faixa de areia: verão é época de cuidar onde a coruja dorme no Litoral Norte

Pesquisador da Uergs destaca cuidados que banhistas precisam ter com as aves que usam o litoral durante o verão para reproduzir a espécie

Em uma praça de Capão da Canoa, duas corujas utilizam faixa de areia próxima de campo de futebol como ninho
Em uma praça de Capão da Canoa, duas corujas utilizam faixa de areia próxima de campo de futebol como ninho Foto : Mauro Schaefer

Quero-quero, coruja-buraqueira e muitas outras espécies de aves podem ser vistas nesta época do ano nas proximidades das dunas e nas faixas de areia das praias do Litoral Norte. Diferentemente dos banhistas, que estão nestes locais pelo lazer e pela recreação, estes animais utilizam as áreas costeiras do Litoral Norte para a reprodução da espécie, exigindo cuidados especiais, principalmente por conta das tocas e dos ovos colocados pelas aves nestes espaços.

Em uma praça localizada na praia de Araçá, em Capão da Canoa, uma coruja-buraqueira (Athene cunicularia) utilizou um desnível na areia para fazer o seu ninho, enquanto outra auxiliava nos cuidados em uma estaca de madeira, ao lado de uma quadra de futebol. Além disso, de acordo com um estudo realizado na Praia Grande, em Torres, foram identificadas 53 espécies de aves que utilizam a faixa de areia ou as dunas durante o veraneio.

O professor da Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (Uergs), Paulo Henrique Ott, conta que grande parte destas espécies de animais já utilizam o litoral gaúcho como habitat, e parte delas têm as dunas como área de reprodução. Além da coruja-buraqueira e o quero-quero (Vanellus chilensis), outras espécies menos conhecidas, como o piru-piru (Haematopus palliatus) e o curriqueiro (Geositta cunicularia), também colocam ninhos nestes locais.

“Essas espécies se reproduzem durante a primavera e o verão, coincidindo com os períodos de maior ocupação de nossas praias. Assim, é fundamental que os banhistas tenham alguns cuidados para não prejudicar a reprodução dessas espécies no litoral. Além do risco de destruir os ninhos e quebrar os ovos, os filhotes também são bastante sensíveis durante esse período”, contou.

Entre as dicas para os banhistas citadas pelo professor, estão não deixar o lixo na praia, não andar de carro ou demais veículos na faixa de areia e nas dunas, utilizar as passarelas para chegar até o mar e manter o cachorro na guia durante o passeio. “Um problema bastante sério é a predação dos filhotes das aves por cachorros soltos. Além disso e do risco de atropelamento de filhotes, a circulação de veículos também interfere na alimentação de algumas espécies”, finalizou.