Verão

Prática do sandboard une gerações em nome da adrenalina e diversão no Litoral Norte

Iniciativa da Prefeitura de Balneário Pinhal quer fomentar esporte radical praticado há cerca de 40 anos, mas hoje um tanto esquecido na região

Sandboard em Cidreira e Balneário Pinhal reúne as gerações de Edson “Parceiro”, Vítor e Marcos
Sandboard em Cidreira e Balneário Pinhal reúne as gerações de Edson “Parceiro”, Vítor e Marcos Foto : Pedro Piegas

As altas e inclinadas dunas do Litoral Norte oferecem um cenário perfeito para a contemplação, mas também para a diversão e a adrenalina. Em Cidreira e Balneário Pinhal, gerações se unem para a prática do sandboard, esporte radical em que uma prancha, entre 1,20 metro e 1,70 metro de comprimento, é utilizada para deslizar sobre a areia.

Parente próximo do snowboard, inclusive com equipamento parecido, o esporte litorâneo é tipicamente brasileiro, e os registros apontam que foi criado nas areias de Florianópolis, na década de 1980, era dourada do surfe no Estado vizinho, e começou a ser praticado quando os surfistas não podiam ingressar no mar. Nos dois municípios, tanto veteranos quanto os mais novos praticam esta atividade como um hobby em dois locais principais: em Balneário Pinhal, às margens da ERS 040, e em Cidreira, na chamada duna da Santa, na praia de Costa do Sol.

"A ideia é uma integração deste pessoal, trazê-los para a duna, que é um ponto turístico bem interessante, fomentando o turismo, o esporte de forma geral e também tirar um pouco tirar essa galera do celular”, afirma o diretor da Secretaria de Esportes e Juventude de Balneário Pinhal, Guilherme Zang Orso. De acordo com ele, a ideia no momento não é formar atletas para competições, embora isto não esteja descartado futuramente, assim como o fomento de outros esportes.

O experiente comerciante Antônio Sezar, conhecido em Balneário Pinhal como Dunga, proprietário de uma loja de artigos de pesca e surfe na área central, disse comprar cerca de 15 a 20 pranchas de sandbard por temporada de um fornecedor de Santa Catarina, mas que, neste veraneio, já não tem mais unidades à venda. Mesmo assim, ele observou que o comércio destes itens reduziu nos últimos tempos, justamente devido à tecnologia. “Muita gente compra mesmo por causa da curiosidade, porém a procura diminuiu bastante. O pessoal fica muito no telefone e se esquece desta diversão”, relata ele.

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De volta às dunas, o microempresário Edson Farias, conhecido como “Parceiro”, é praticante de sandboard na região há mais de 40 anos, e costuma inclusive emprestar equipamentos para outros se aventurarem. “Moro perto das dunas, e a vida toda brincava com peças de madeira, e fomos descobrindo o quão bacana é este esporte", relatou Farias, acrescentando ter confeccionado sozinho sua primeira prancha, com uma tábua de madeira. Hoje, elas são feitas com materiais mais modernos, como folha de compensado naval e fibra de carbono, além de contar com alças para encaixe dos pés.

Atualmente com 18 anos, o balconista Vitor Severo pratica skate há dez, modalidade esta já bem mais difundida em Balneário Pinhal, que conta com uma pista pública próxima da loja de Dunga, inclusive. “O skate já faz mais parte da minha rotina. Mas percebo que o sandboard é uma modalidade muito mais rápida. Acredito que a adrenalina em relação ao skate é a mesma, porém a dinâmica é diferente, não tem as rodinhas, tem que deslizar, cuidar do equilíbrio, e tudo o mais”, diz o jovem.

Com apenas 14 anos, o adolescente Marcos Lorenzo é outro praticante local da modalidade litorânea. “Acho que esportes assim estão faltando na vida de muitas pessoas, principalmente pela questão da saúde. É muito boa esta iniciativa da Secretaria de Esportes de fazer um verão em que as pessoas consigam praticar estas atividades. Estou praticando e melhorando sempre", disse Lorenzo.