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Projeto analisa água de rios e lagoas do litoral Norte

Análise comprova necessidade de investimentos em saneamento básico, conforme cientista

Por
Chico Izidro

Projeto analisa águas do litoral Norte

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Está sendo realizado ao longo desta semana, dentro do Projeto Taramandahy, o monitoramento da qualidade de água das lagoas e rios da Bacia Hidrográfica do Rio Tramandaí, na região do Litoral Norte do Estado. O trabalho está sendo realizado sob supervisão do coordenador geral do projeto Taramandhay, Dilton de Castro, e da química e técnica de laboratório da Ufrgs no Ceclimar, no laboratório de análise de águas e sedimentos (LAS), Gabriela Milani.

Na manhã desta terça-feira, em uma viagem de barco que durou mais de quatro horas, a pesquisadora percorreu o trajeto entre a Lagoa Rondinha, em Pinhal, encerrando na Lagoa dos Passos, recolhendo amostras de águas das lagoas Rondinha, Fortaleza, Gentil, Tramandaí e Passo.

De acordo com Gabriela, foram escolhidos para serem monitorados 14 pontos. “Foram escolhidos pontos considerados importantes em função de suas localizações, tendo em vista as áreas de atividade agrícola intensa quase que em toda a extensão da Bacia do Tramandaí, bem como pela representatividade de praticamente um ponto a cada lagoa existente, especialmente por serem as lagoas costeiras e rios locais fontes importantes de água para abastecimento, pesca para venda e subsistência, irrigação, lazer, entre outros usos”, disse ela.

O monitoramento é realizado desde 2009 e está em sua terceira fase. “As amostragens estendem-se desde as nascentes dos Rios Maquiné e Três Forquilhas, até o Norte da lagoa Itapeva e Sul da lagoa Bacopari, São lagoas rasas, com material em suspensão, alta produtividade biológica e sensíveis às alterações naturais e antrópicas”, ressaltou. Durante a coleta alguns parâmetros já são realizados, como a velocidade e a direção do vento, a temperatura da água, temperatura do ar, profundidade total, fluxo e transparência. Ao retornaram ao laboratório com as amostras, é dada continuidade com os outros parâmetros, que no total são e torno de 30 parâmetros físicos, químicos e microbiológicos, tais como: oxigênio dissolvido, nitrito, nitrogênio amoniacal e total, ortofosfato, fósforo total, sulfatos, sulfetos, coliformes termotolerantes, entre outros.

Haverá ainda este ano mais duas amostragens de campo, totalizando em seis campanhas amostrais. Uma em junho e a outra em outubro. Ao final de todas campanhas será elaborado um relatório para mostrar como as águas estão se comportando. “E, infelizmente, com os resultados obtidos, de uma forma geral, as lagoas ultrapassam a classificação proposta pelo enquadramento no plano de bacia e evidenciam uma involução da qualidade das águas”, lamentou. “Cada vez mais pessoas fazendo uso, e o saneamento básico e controle de fiscalização é falho.”

Após a última campanha, o relatório será encaminhado para a Ação Nascente Maquiné (Anama), que na sequência o repassará para a Petrobras, patrocinadora do programa. “Considerando todos esses dados que estamos coletando, há 10 anos, fica evidente a necessidade de avaliações permanentes da qualidade de águas destes corpos hídricos, e, especialmente, que estes dados gerados sirvam para composição de planos de gerenciamento costeiro, e evidenciem a necessidade de saneamento urbano e rural que até o momento tem sido pouco contemplado pelos administradores municipais e regionais. Não estamos aqui para fiscalizar e achar culpados, apenas levantamos e analisamos dados de maneira a contribuir para com nosso meio ambiente.”, garantiu.

A campanha, iniciada na segunda-feira, prosseguirá nesta quarta com uma subida para a Serra Gaúcha para coleta nas nascentes e na quinta-feira haverá coletas nas foz dos rios e lagoas mais ao norte da Bacia.