Ressaca leva perigo a veranistas no litoral Norte

Ressaca leva perigo a veranistas no litoral Norte

Água subiu rapidamente nesta sexta e chegou a provocar corre-corre na orla de Tramandaí

Chico Izidro

Águas avançaram sobre a orla em Tramandaí

publicidade

Uma forte ressaca afastou os banhistas da beira do mar nesta sexta-feira no litoral Norte. Em Tramandaí e Imbé, as águas ultrapassaram as guaritas dos guarda-vidas e chegaram até as muretas de contenção, fazendo com que os veranistas tivessem de colocar suas cadeiras e guarda-sóis na faixa de areia próxima ao calçadão. O dia estava nublado e a temperatura variou entre os 20°C e os 24°C. A Marinha do Brasil emitiu aviso de ondas de até 2,5 metros nas costas do Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

“Foi o maior susto hoje (sexta-feira) pela manhã”, recapitulou Márcio Silveira Silva, de Sapucaia do Sul, e veraneando em Tramandaí desde a quarta-feira. “Eu e algumas pessoas percebemos que a água estava subindo rápida demais. E ela veio forte, arrastando tudo o que estava pelo caminho”, recordou. 

De acordo com o veranista, em seus mais de 30 anos na praia do litoral Norte, é a primeira vez que testemunha tal fenômeno: “Foi um corre-corre, e mesmo assim a água derrubou muita gente. Foram perdidos celulares, carteiras, chaves de carros, chinelos, O mar levou tudo”, contou. “Foi necessária até a presença de uma ambulância, que encaminhou algumas pessoas para o hospital”, garantiu ele, que subiu num banco de areia perto da mureta de proteção para escapar das águas.

O guarda-vidas Sargento Freitas, da guarita 145, em Tramandaí, explicou que o fenômeno é proveniente de uma corrente Sul e provocado, provavelmente, devido a uma tempestade que ocorreu em alto mar. “No caso desta ressaca devem ser tomados cuidados principalmente com as crianças e idosos, que de forma alguma devem entrar nas águas”, alertou. “As ondas fortes e com correntes laterais podem arrastar as pessoas para o fundo. Então todo cuidado é necessário.”

Segundo ele, existe grande possibilidade de o mar prosseguir com a ressaca até o domingo. “Não é certo, mas é provável”, garantiu o sargento, lamentando ainda que muitas pessoas não atendem o apelo e insistem em entrar no mar para se banhar: “Colocamos bandeira vermelha, demos o alerta, mas nunca parece ser o suficiente”.

Não é o caso do morador de Canoas Jorge Santana, que assegurou: “Vou ficar aqui pelo calçadão mesmo”. Servindo o chimarrão, ele narrou a cena que viu: “Cheguei aqui pela manhã e notei que o calçadão estava cheio de gente. Até que me dei conta que as ondas estavam muito altas e a água chegando próxima a mureta. Escutei o aviso dos guarda-vidas e vou respeitar. Até coloquei os pés no mar, a água está bem quente, porém vou evitar correr riscos”.

A porto-alegrense Clarice Almeida, por sua vez, decidiu se arriscar nas águas. “A água está quentinha e sei tomar cuidados”, garantiu ela. “Mas só vou me banhar rapidamente e depois ficar tomando sol ali perto do calçadão”, encerrou.



Correio do Povo
DESDE 1º DE OUTUBRO 1895