Verão

Revitalização da primeira guarita de salva-vidas do RS deve começar ainda em janeiro

Estrutura passa despercebida por veranistas e turistas em Torres

Guarita símbolo de Torres está com a revitalização travada desde 2022
Guarita símbolo de Torres está com a revitalização travada desde 2022 Foto : Mauro Schaefer

A revitalização do Monumento aos Salva-Vidas, também conhecido como Torreão, em Torres, no Litoral Norte, já tem data para começar. De acordo com o prefeito Delci Dimer, estão sendo acertados os últimos detalhes para que a empresa contratada inicie a restauração. A previsão é de que os trabalhos comecem ainda em janeiro.

“Vínhamos trabalhando nisso há bastante tempo. Foi necessário buscar recursos, elaborar projetos e obter a liberação dos órgãos competentes para dar início à obra. Já acertamos com a empresa e, agora, até o final de janeiro, os trabalhos de reforma e revitalização devem começar”, afirma Dimer.

A estrutura está com as obras paralisadas desde 2022, quando o Ministério Público questionou o modelo de contratação da empresa, por contrapartida. Conforme o prefeito de Torres, a revitalização é uma obra lenta, mas há otimismo quanto à conclusão. “É uma obra demorada, porque o restauro não é simples, mas provavelmente estará pronta antes do final do ano”, explica.

Degradação é vísivel na guarita símbolo instalada na Praia Grande, em Torres | Foto: Mauro Schaefer

Estrutura abandonada

Quem passa pela avenida Beira-Mar, em Torres, talvez não perceba, mas ali, entre um restaurante e outro, está localizado um patrimônio histórico do Litoral Norte gaúcho: a primeira guarita de salva-vidas das praias do Rio Grande do Sul. A distração é até natural, já que a estrutura de concreto apresenta partes quebradas, reboco e ferragens aparentes, além de pintura danificada. A sensação de quem passa pelo local é de abandono.

A plataforma foi erguida em 1953 e servia como torre de visualização da Praia Grande. A guarita, de traços modernistas, é conhecida como Torreão ou Monumento aos Salva-Vidas. Ela chama a atenção pela grande altura e pela longa distância em relação ao mar. As guaritas atuais, feitas de madeira, são mais baixas e ficam mais próximas dos banhistas.

Evanir Schardosim fechou a passagem de pedestres entre a plataforma e o seu restaurante | Foto: Mauro Schaefer

Proprietário de um dos restaurantes ao lado do Torreão, Evanir Schardosim revela que precisou fechar a passagem de pedestres entre a plataforma e o seu estabelecimento, temendo que alguém se machucasse com eventuais pedaços de concreto que poderiam cair. Há 30 anos no local, ele recorda o período em que o monumento era um ponto turístico da cidade. “As pessoas tiravam fotos aqui, mas já não podiam mais subir”, lembra.

Atualmente, além do prejuízo para o seu negócio, a maior tristeza, segundo ele, é como cidadão de Torres. “Isso atrapalha não só o comércio, mas é algo muito feio, realmente horrível. O local foi tombado pelo patrimônio histórico, é um patrimônio da cidade, e estar abandonado do jeito que está é inaceitável. É feio e chama a atenção das pessoas, que comentam sobre isso. Quem não conhece a história acaba passando despercebido, mas, na verdade, é um descaso total”, ressalta.

Apesar da indignação, ele ainda alimenta a esperança de que o Torreão volte a ser um ponto turístico da cidade. “Isso é um cartão-postal da cidade. Não pode ficar assim, abandonado desse jeito”, finaliza. Outro comerciante do entorno, Omero Evaldt, afirma que há cerca de cinco anos não são feitos reparos na guarita, o que desperta a curiosidade de turistas que passam pelo local. “Muita gente para e pergunta, admirada, por que está desse jeito”, revela.

Uma placa com a mensagem “Desculpe o transtorno. Estamos trabalhando para revitalizar este importante ícone da história de Torres” está afixada no tapume metálico. O monumento, construído para garantir aos salva-vidas uma visão privilegiada do mar, atualmente bloqueia a vista para quem circula pelo calçadão.

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