Bucólico e tranquilo, o bairro Jardim do Éden, na zona Sul de Tramandaí, no litoral Norte, herda da tradição bíblica a ideia de paraíso. Não é à toa. Com fortes restrições regulamentadas a comércios e serviços, este trecho de praia de algumas centenas de metros, limitado pelo Jardim Atlântico e o Portal do Éden, relativamente pouco frequentado por quem vem de fora, diferencia-se de outras pela maciça presença de casas, e apenas isto.
Ao longo das décadas, enquanto outras regiões, inclusive em sua borda, avançam na presença de mercados, farmácias e outros empreendimentos, esta não parece ser uma preocupação imediata do Jardim do Éden gaúcho, com apoio da associação de moradores local, embora o assunto não escape das controvérsias entre alguns moradores. “Falta aqui um pouco de estrutura de comércio. Claro, isso pode atrapalhar um pouco o sossego, vir mais gente para cá. Mas acredito que seria necessário ter, é o ônus e o bônus”, comentou o empresário Diego Endrigo.
Balneário Jardim do Éden, na orla de Tramandaí
“Apesar disto, há uma boa relação entre a comunidade e a Prefeitura, porém esta área precisava de um pouco mais de carinho do poder público”, acrescentou o pescador Ademir da Silva, justificando que um chuveirinho perto da praia estava inoperante no começo do ano. A pesca, aliás, é uma das atividades mais afeitas aos habitantes este balneário. Uma parceria entre a Administração e a Sociedade Amigos do Jardim do Éden (Saje), por exemplo, possibilitou a instalação de redes ao redor do campinho de futebol pelo qual a área é conhecida.
Outra reformou a passarela da areia à rua, com material obtido pela Saje, e mão de obra da Administração municipal. A moradora Jussara Maria Pereira, mãe do atual vice-presidente da Saje, Rafael Pereira, conta que muitos habitantes povoaram o Jardim do Éden há décadas, mas tem havido recentemente um fluxo de novas pessoas, atraídas justamente pelo caráter de fuga do agito. “Inclusive aqui há gente querendo que isto virasse um condomínio fechado, com porteira e tudo. Mas não há como”, comentou ela.
De acordo com a secretária municipal da Zona Sul de Tramandaí, Claudia Beatriz de Souza, quando o Loteamento Jardim do Éden foi criado, em meados da década de 1980, a própria empresa loteadora estabeleceu na sua criação e junto à lei do Plano Diretor do município a restrição em relação a edificação e exploração comercial nesta área. “Assim, foram permitidas somente residências no bairro”, conta ela.
Existe, de fato, um contraste entre as praias do sul e do norte de Tramandaí, sendo que nas primeiras, conforme Claudia, há certas peculiaridades na construção civil, como, por exemplo, a restrição da construção de casas em madeira em locais específicos. “É a região melhor organizada neste sentido no município”, acrescentou a secretária.
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