Verão

Tranquilidade e rotina familiar tornam Praia Paraíso um dos principais redutos dos gringos da Serra no Litoral Norte

Balneário de Torres cresce de forma silenciosa, preserva clima familiar e reúne veranistas que repetem hábitos e amizades trazidas da Serra

O aposentado Moacir Silva Vargas é um dos caxienses que veraneia na Praia Paraíso
O aposentado Moacir Silva Vargas é um dos caxienses que veraneia na Praia Paraíso Foto : Fabiano do Amaral

O acesso discreto pela Estrada do Mar contrasta com o que se encontra logo adiante na Praia Paraíso. O balneário tranquilo, de perfil familiar, que mesmo no auge do veraneio mantém o silêncio, o ritmo desacelerado e a sensação de estar em casa, se transformou num dos principais redutos de veranistas vindos da Serra Gaúcha.

Localizada no município de Torres, a praia não tem apelos turísticos exuberantes, Paraíso conquista justamente pelo oposto. A faixa de areia larga, o mar típico do Litoral Norte e a presença de árvores próximas à praia, que garantem sombra natural, ajudam a criar o ambiente ideal para famílias, chimarrão no fim de tarde e encontros despretensiosos entre vizinhos.

No Paraíso, não é raro que as pessoas se cumprimentem pelo nome ou usem referências familiares para indicar onde fica determinada casa. Estes hábitos são reflexo das relações construídas ao longo dos verões.

Morador de Caxias do Sul, o aposentado Moacir Silva Vargas, de 66 anos, veraneia na Praia Paraíso há cerca de seis anos. Ele conta que conheceu o balneário após circular por outras praias da região, mas acabou se identificando com o clima mais calmo. “Comecei a vir, fui gostando e fiquei. Passei por Arroio do Sal, por Torres, mas aqui me agradou mais”, resume.

Segundo ele, a presença de muitos veranistas da Serra faz com que o ambiente seja ainda mais acolhedor. “Tem bastante gente de Caxias. O pessoal acaba se encontrando aqui na beira da praia. Às vezes nem se vê durante o ano inteiro, mas no verão se encontra aqui”, relata.

Os costumes também acompanham os visitantes, principalmente na tradicional gastronomia italiana, característica da Serra gaúcha. “Vem junto o vinho, o salame e o queijo. Esses produtos não podem faltar. E acaba trocando peixe pelas comidas italianas”, brinca.

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Esse perfil comunitário também é percebido pelo vendedor Amarildo Wartha, de 52 anos, e pela corretora Valesca Bento, 44, ambos de Caxias do Sul. O casal veraneia na Praia Paraíso há oito anos, desde que decidiu investir em um imóvel no Litoral Norte. “Procurávamos uma praia para investir e acabamos encontrando um imóvel aqui. Compramos e estamos até hoje. É uma praia boa, limpa, muito familiar”, avalia Wartha.

Com o crescimento do balneário, moradores e veranistas passaram a se organizar para buscar melhorias. Há cerca de um ano, foi criada a Associação Comunitária da Praia Paraíso (Acompp), que reúne atualmente cerca de 140 associados. A mobilização já resultou em avanços, como a pavimentação de uma das principais vias de acesso. “Antes, a entrada era muito ruim. Hoje já é uma entrada decente”, afirma ele.

Apesar disso, ainda há desafios. Moradores e comerciantes apontam que o acesso ao balneário, com apenas uma via asfaltada, e o fornecimento de energia elétrica estão entre as principais demandas. Em períodos de maior movimento, há relatos de instabilidade no serviço, com prejuízos causados por oscilações. A expectativa dos veranistas é de que novos investimentos acompanhem o crescimento do local.