Criadas em 2008, as apostas na Mega da Virada se transformaram em uma tradição para milhões de brasileiros e brasileiras que sonham em mudar de vida, conquistando prêmios com cifras gigantescas. Neste ano, a estimativa da Caixa Econômica Federal é de que chegue a R$ 600 milhões a premiação.
Com a aproximação do final de ano, aqueles que buscam o Litoral para aproveitar o calor e festejar os últimos dias do ano, mas não querem deixar de fazer a sua “fezinha”, podem comprar suas apostas à beira-mar.
Isto porque vendedores de agências lotéricas da região, que buscam justamente atingir este público, passaram a circular pelas praias, oferecendo cotas de bolões prontos, possibilitando que os apostadores unam o útil ao agradável.
Sorridente, bem-humorado e carismático, o vendedor Otávio Diurza circula por diversas praias, entre as cidades de Arroio do Sal e Xangri-Lá, com centenas de cotas de bolões, vendidos por ele com valores entre R$ 25 a R$ 100.
Morador da cidade de Porto União, em Santa Catarina, há seis anos ele percorre cerca de 600 quilômetros durante o mês de dezembro, para se instalar na região e trabalhar com a venda de apostas na Mega da Virada. “É um bico que faço todos anos, mas um bico muito bom”, garante Diurza.
Conforme o vendedor, em anos anteriores, nos dias de maior movimento nas praias, chegou a comercializar, em média, 80 cotas por dia. Neste ano, até agora, a venda está mais discreta na praia. “Nos outros anos, as pessoas me chamavam com mais frequência para apostar, mas esse ano está meio atípico e estou fazendo menos vendas”, relata.
Diurza conta que já imaginava que a procura poderia ser menor neste, até acreditando em alguma influência ainda das enchentes que atingiram os gaúchos, mas, ainda assim, a demanda menor está surpreendendo. “Minha perspectiva era de que as vendas chegassem a até 60% dos anos anteriores, mas está menor. Estou vendendo entre 30 e 40 cotas por dia”, acrescenta.
Apesar dos primeiros dias com movimento mais discreto, ele é otimista nas projeções para os últimos dias de apostas. “Acredito que, no dia 31, quando as lotéricas fecham mais cedo, a procura será maior. Nestes dias, chegamos a vender 150 cotas por dia”, explica.
Empolgado com o trabalho e com as históricas vivenciadas ao longo dos seis anos, ele relembra alguns aprendizados que teve com a venda de apostas prontas. “Hoje eu seguro comigo uma cota de cada bolão diferente que vendo. Apanhei bastante, mas aprendi”, conta ao afirmar que já deixou de ganhar dinheiro por não comprar cotas.
Um vendedor nato, como afirma ser, Diurza já até conhece o perfil de seus potenciais clientes.. “Meu clientes, em maioria, compram as cotas de R$ 100. As mais procuradas são as mais caras, que possuem mais apostas”, diz.
Apesar da dificuldade que aumenta a cada ano, garante que vale a pena. “Quando eu fui convidado para trabalhar com isso, achava algo meio fantasioso, mas só foi crescendo com o passar dos anos. Meu primeiro dia foi em um Natal e agora fico durante boa parte do mês de dezembro. Com este dinheiro, pretendo voltar para a cidade em janeiro para aproveitar. Também é preciso descansar um ponto”, finaliza.