O sol forte da tarde deste sábado e o mar claro e de bandeira amarela em Capão da Canoa pode esconder riscos invisíveis. De acordo com o boletim mais recente da Balneabilidade, divulgado na sexta-feira pela Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam), pela primeira vez nesta temporada de veraneio dois pontos do município aparecem na lista de locais considerados impróprios, justamente alguns dos mais badalados: em frente aos edifícios Aymoré, no Largo do Baronda, e Yara, ambos na área central.
Mesmo com placas na areia informando da condição da água do mar, banhistas, inclusive famílias e crianças, ignoravam os avisos e se banhavam tranquilamente. “Não sabia, você está me informando agora. Não tinha visto a placa. Vou avisar a família sobre isto”, afirmou, com surpresa, o empresário Dionatan Carvalho, morador de Canoas. Ele estava à beira-mar com uma criança pequena.
A placa em questão, junto ao Yara, geralmente é visível, porém nos últimos dias se tornou quase imperceptível entre um enorme quiosque temporário e as dunas, ambos ao lado da passagem de veranistas. Mais explícita está a placa do ponto do Aymoré, mas ali, ainda havia mais movimento. O marceneiro Carlos Roberto, de Capão da Canoa, afirmou que também não sabia, mas que geralmente as pessoas ignoram o aviso. "Acho que, depois de vários dias de chuva que houve nessa semana, o povo não se importa muito em mergulhar”, disse ele.
Dois pontos impróprios para banho em Capão da Canoa
O secretário de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano de Capão da Canoa, Beto Rocha, diz que uma medição da Prefeitura neste sábado “não constatou mais extravasamento de esgoto cloacal”, e que, desde a sexta-feira, novas análises com a água estão sendo feitas junto à Corsan para "um parecer próprio", com resultado a ser divulgado até a próxima segunda. "Com certeza não temos mais coliformes fecais na água, e o banho não está impróprio. Estas medições (da Fepam) foram feitas na quinta e sexta”. Procurada, a Fepam reforçou a confiabilidade de seus testes, feitos conforme parâmetros do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama). Sobre a localização da placa do Yara, a situação foi repassada aos técnicos do órgão.
O resultado da balneabilidade considera cinco semanas de monitoramento. O ponto é considerado impróprio se duas ou mais amostras apresentam concentração da bactéria E.coli acima de 800 ou se a amostra mais recente das cinco avaliadas apresentar resultado maior que 2.000. O mesmo ocorre se a contagem de cianobactérias extrapolar 50.000 células, que não são medidas em Capão da Canoa. No caso do ponto do Edifício Aymoré, a semana 11 (mais atual) teve concentração medida de 2.603. Já no ponto do Edifício Yara, o índice foi de 2.851.
A bactéria E.coli existe naturalmente no intestino humano, mas pode causar desde diarreias até infecções urinárias. O resultado atual mostra que dos 93 pontos analisados no Litoral Norte e interior gaúcho, 80 estão próprios para banho, três a menos do que na semana anterior, e 13 estão impróprios para receber banhistas. Sobre a visibilidade das placas, o órgão afirmou que há como verificar a balneabilidade também no aplicativo web próprio. Também procurada, a Corsan, disse, em nota, que esteve no ponto do Edifício Aymoré após a análise da Fepam e, da forma como foi dito por Rocha, não identificou extravasamento na rede.
Leia a nota completa da Corsan
A Corsan realiza vistorias preventivas de rotina nas redes de esgoto a fim de manter o sistema em pleno funcionamento. Após o relatório semanal da Fepam, o qual apontou o ponto Edifício Aymoré como impróprio para banho, em Capão da Canoa, a Corsan esteve no local realizando nova coleta e análise, não identificando extravasamento na rede. A Companhia reforça o compromisso em manter a qualidade dos serviços prestados, atendendo as diretrizes do saneamento, e está à disposição para mais informações.