Viva Bem

A dança move a cura

Integrantes do OncoDance estiveram na redação do Correio do Povo para mostrar um pouco do trabalho que desenvolvem | Foto: Ricardo Giusti


Com sorrisos no rosto, alegria de viver e interagir e também mostrar o seu melhor, as integrantes do OncoDance embalam quem chega na roda da vida e da dança. O grupo que reúne, desde 2014, mulheres que apresentam ou apresentaram diagnóstico de câncer, promove oficinas sistemáticas e gratuitas com diversos ritmos todas as semanas. O grupo pode ser contatado pela página do OncoDance no Facebook.

A compreensão de que a cada dia é possível se reinventar e se superar é o que motiva as integrantes do grupo. Conforme Sônia Melnik, que teve diagnóstico de câncer no pâncreas, elas se entendem pelo olhar. “Não precisa dizer nada. O que a outra sente, eu senti ou vou sentir. Mudamos o nosso olhar diante do outro e de nós mesmas. Saímos da posição de vítimas e assumimos o leme das nossas vidas. Vivo só por hoje e já faz quatro anos e certamente terão muitos e muitos outros. A dança nos traz novos movimentos. Sabemos que a doença esteve ali, mas o que muda é a nossa atitude diante da vida”, destaca Sônia.

A análise de Sônia é complementada por Leila Mylius, que já teve dois diagnósticos, mas optou por aderir à leveza da dança e da vida. “Quando a gente dança, esquece de tudo. Corpo e alma ficam mais leves. E isso ajuda muito na superação da doença. A gente até esquece dela”, ressalta. Para Rosinere Andrade, é como sair do casulo. Quando ela soube do diagnóstico de câncer de mama, há oito anos, achou que o mundo tinha acabado. No entanto, aos poucos, compreendeu que havia muitas formas de superar a doença e encontrar a cura. A dança foi uma delas. “Hoje me sinto linda, maravilhosa. Quando fiz minha primeira apresentação de dança do ventre, vi que eu era capaz, foi emocionante.” Para ela, foi uma oportunidade de transformação.

Na avaliação da professora de dança Cristina Melnik, “há rosa no preto, há colorido na escuridão”. A especialista, que é mestre em Medicina: Ciências Médicas (Ufrgs), psicóloga e licenciada em dança, lembra que o projeto destaca a potencialidade de cada integrante, apesar das limitações que a doença impõe. "Trabalhamos conforme o movimento de cada uma delas. Se não pode estender o braço, não há problema. Ela vai no seu ritmo”, observa. “O câncer está ligado à ameaça à vida. Nosso foco é no bem viver. É no estilo de vida. É mostrar que o tempo que temos é para viver, aprender e ensinar”, observa.

 

Mais Lidas