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Nutricionista fala sobre como melhorar a eficácia do tratamento para a obesidade infantil

Além dos especialistas, famílias têm papel fundamental na mudança de hábitos

De acordo com o Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil (ENANI) mais recente, divulgado pelo Ministério da Saúde, 18,6% das crianças de até 5 anos encontram-se em zona de risco para o sobrepeso
De acordo com o Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil (ENANI) mais recente, divulgado pelo Ministério da Saúde, 18,6% das crianças de até 5 anos encontram-se em zona de risco para o sobrepeso Foto : @ jcomp / Free Pik / Divulgação / CP

Os índices alarmam. Pesquisas recentes apontam para o crescimento exponencial da obesidade infantil no Brasil e no mundo. De acordo com o Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil (ENANI) mais recente, divulgado pelo Ministério da Saúde, 18,6% das crianças de até 5 anos encontram-se em zona de risco para o sobrepeso e 10%, que correspondem a aproximadamente 7 milhões em número absoluto, estão com excesso. Desse recorte, 3% delas são consideradas obesas. Na fase seguinte de crescimento, entre 5 e 10 anos, o total de crianças com a doença sobe para 16%, segundo pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE),

O problema, muitas vezes negligenciado, pode ser a porta de entrada para outras enfermidades clínicas e crônicas, tais como a hipertensão e a alta do colesterol ruim (LDL), desenvolvimento de cânceres e de doenças cardiovasculares. Mas o que explica esse aumento de casos a ponto de o problema já ser considerado epidemia pela Organização Mundial da Saúde?

Alguns comportamentos ajudam a entender essa configuração. Entre eles, mudanças de hábitos da população e novos estilos de vida das famílias, que priorizam praticidade ao preparo da própria alimentação, além de sedentarismo, inatividade física e crescente uso de telas, na contramão das brincadeiras que envolvam gastos calóricos, como pique-esconde, pega-pega e mesmo as práticas esportivas.

“A correria do dia a dia faz com que as pessoas optem pela praticidade dos fast foods, das comidas pré-prontas e congeladas e dos ultraprocessados, refeições rápidas e nutricionalmente inadequadas. E as crianças replicam aquilo que enxergam”, pontua Fernanda Marques, professora do curso de Nutrição da UniRitter.

A obesidade é uma doença crônica multifatorial em que predisposições metabólicas e genéticas, com mais de 400 genes associados, são apenas dois dos fatores. Para o seu desenvolvimento, associações ambientais e fatores de comportamento têm influência direta.

“Uma vez diagnosticada, inicia-se um tratamento nada simples, que envolve a compreensão e a participação da família. São dois pacientes em um, a criança e o responsável, que precisa entender que ele e a família são parte do processo”, pontua Fernanda. A profissional acrescenta que esse é um dos maiores desafios, pois há resistência e negação entre os familiares, que não querem mudar suas rotinas e depositam na “fase de crescimento” a crença de que a questão se resolverá.

Nesta luta, é extremamente importante romper com alguns estereótipos, como o de que estar acima do peso é sinônimo de saúde ou o de que a obesidade é sinal de relaxamento e displicência. “Muitas vezes, até questões psicossociais interferem, Para uma melhor eficácia, o ideal é que a criança seja acompanhada de profissionais da nutrição, da psicologia e do seu pediatra ou endocrinologista”, afirma a professora.

Novas refeições

No aspecto nutricional, um esclarecimento também é fundamental. Não há cortes drásticos ou proibições, mas sim, adequações na rotina. Pode-se fazer até cinco refeições ao dia. O profissional lida com maneiras de organizar e compor o cotidiano e diminuir o descontrole pela vontade de comer. “Uma boa dica é envolver a criança em todas as situações relacionadas ao tratamento, desde a compra dos itens, explicando o que é cada alimento, até o preparo das refeições. Assim, cria-se um ambiente lúdico e ela se sente integrada”, aconselha a professora.

Um bom começo é estabelecer uma rotina alimentar e acompanhar a criança. Em todas as refeições, aconselha-se a inclusão de algum alimento in natura, podendo ser frutas ou vegetais. “A ideia de compor o prato com cinco cores, tanto no almoço quanto no jantar, é didática e nutricional. Feijão, arroz, salada e legumes com uma proteína e fruta de sobremesa são suficientes”, completa.

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