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Um exame de necropsia confirmou que pelo menos duas das 239 vítimas do incêndio da boate Kiss, em Santa Maria, tinham a substância cianeto no sangue. Os autos do exame, fotografias e laudos periciais foram anexados ao pedido de prisão preventiva dos dois sócios da casa noturna, Elissandro Spohr - conhecido como Kiko -, e Mauro Hoffman, além dos integrantes da banda Gurizada Fandangueira, o vocalista Marcelo de Jesus dos Santos e o produtor Luciano Augusto Bonilha, decretada nesta sexta-feira pelo juiz Ulysses Fonseca Louzada, da 1ª Vara Criminal de Santa Maria.
O cianeto, substância altamente tóxica, estaria presente na espuma usada para isolamento acústico da casa e teria intoxicado grande parte das vítimas – que morreram por inalar fumaça. Para o magistrado, na análise jurídica do episódio, há seguros elementos da existência de crime. "Ainda que não tenham sido disponibilizados os autos de necropsia de todas as vítimas, há que se considerar, para o momento, suficientes as provas da materialidade."
Segundo o Juiz, a determinação da prisão preventiva não significa que estejam encerradas as conclusões a serem tomadas sobre o fato, "tampouco se trata de antecipação de condenação. Significa apenas que existem indicativos de autoria e que a prisão é necessária".
A Polícia Civil protocolou o pedido na quinta-feira. O motivo é manter os investigados detidos por mais 10 dias para finalizar o inquérito que apura o caso. O Ministério Público (MP) já havia se manifestado favorável ao pedido de prisão preventiva. Para os promotores Maurício Trevisan e Joel Oliveira Dutra, ao manterem a boate em funcionamento sem condições de segurança, os proprietários submeteram as pessoas “a altíssimo risco na busca de lucro e maximização de proveito econômico do negócio que geriam". Já em relação aos músicos, os promotores sustentam que "o uso de artefato pirotécnico gerador de fogo contra-indicado para ambientes fechados denota que eles foram movidos na busca de proveito econômico, agindo de modo direto na criação do risco que acabou se concretizando e gerando o incêndio”.
A tragédia
O incêndio na boate Kiss – que fica na Rua dos Andradas, Centro de Santa Maria – começou por volta das 2h30min da madrugada de 27 de janeiro. O público participava de uma festa organizada por estudantes da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). A tragédia deixou 239 pessoas mortas.
Segundo testemunhas, o fogo teria começado quando um dos integrantes da banda Gurizada Fandangueira, que acabara de subir ao palco, lançou um sinalizador. O objeto teria encostado na forração da casa noturna. As pessoas não teriam percebido o fogo de imediato, mas assim que o incêndio se espalhou, a correria teve início. Conforme relatos, os extintores posicionados na frente do palco não funcionaram.
Em pânico, muitos não conseguiram encontrar a única porta de saída do local e correram para os banheiros. Aqueles que conseguiram fugir em direção à saída, ficaram presos nos corrimãos usados para organizar as filas. A boate foi tomada por uma fumaça preta e as pessoas não conseguiam enxergar nada. A maioria morreu asfixiada dentro dos banheiros ou na parte dos fundos da boate.
Fonte: Correio do Povo
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