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01/03/2013 17:15 - Atualizado em 01/03/2013 17:46

Necropsia de duas vítimas da Kiss confirma presença de cianeto, diz juiz

Justiça decretou prisão de investigados por incêndio em Santa Maria

Um exame de necropsia confirmou que pelo menos duas das 239 vítimas do incêndio da boate Kiss, em Santa Maria, tinham a substância cianeto no sangue. Os autos do exame, fotografias e laudos periciais foram anexados ao pedido de prisão preventiva dos dois sócios da casa noturna, Elissandro Spohr - conhecido como Kiko -, e Mauro Hoffman, além dos integrantes da banda Gurizada Fandangueira, o vocalista Marcelo de Jesus dos Santos e o produtor Luciano Augusto Bonilha, decretada nesta sexta-feira pelo juiz Ulysses Fonseca Louzada, da 1ª Vara Criminal de Santa Maria.

O cianeto, substância altamente tóxica, estaria presente na espuma usada para isolamento acústico da casa e teria intoxicado grande parte das vítimas – que morreram por inalar fumaça. Para o magistrado, na análise jurídica do episódio, há seguros elementos da existência de crime. "Ainda que não tenham sido disponibilizados os autos de necropsia de todas as vítimas, há que se considerar, para o momento, suficientes as provas da materialidade."

Segundo o Juiz, a determinação da prisão preventiva não significa que estejam encerradas as conclusões a serem tomadas sobre o fato, "tampouco se trata de antecipação de condenação. Significa apenas que existem indicativos de autoria e que a prisão é necessária".

A Polícia Civil protocolou o pedido na quinta-feira. O motivo é manter os investigados detidos por mais 10 dias para finalizar o inquérito que apura o caso. O Ministério Público (MP) já havia se manifestado favorável ao pedido de prisão preventiva. Para os promotores Maurício Trevisan e Joel Oliveira Dutra, ao manterem a boate em funcionamento sem condições de segurança, os proprietários submeteram as pessoas “a altíssimo risco na busca de lucro e maximização de proveito econômico do negócio que geriam". Já em relação aos músicos, os promotores sustentam que "o uso de artefato pirotécnico gerador de fogo contra-indicado para ambientes fechados denota que eles foram movidos na busca de proveito econômico, agindo de modo direto na criação do risco que acabou se concretizando e gerando o incêndio”.

A tragédia

O incêndio na boate Kiss – que fica na Rua dos Andradas, Centro de Santa Maria – começou por volta das 2h30min da madrugada de 27 de janeiro. O público participava de uma festa organizada por estudantes da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). A tragédia deixou 239 pessoas mortas.

Segundo testemunhas, o fogo teria começado quando um dos integrantes da banda Gurizada Fandangueira, que acabara de subir ao palco, lançou um sinalizador. O objeto teria encostado na forração da casa noturna. As pessoas não teriam percebido o fogo de imediato, mas assim que o incêndio se espalhou, a correria teve início.
Conforme relatos, os extintores posicionados na frente do palco não funcionaram.

Em pânico, muitos não conseguiram encontrar a única porta de saída do local e correram para os banheiros. Aqueles que conseguiram fugir em direção à saída, ficaram presos nos corrimãos usados para organizar as filas. A boate foi tomada por uma fumaça preta e as pessoas não conseguiam enxergar nada. A maioria morreu asfixiada dentro dos banheiros ou na parte dos fundos da boate.


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Fonte: Correio do Povo






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