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“A essência continua a mesma” diz Luan Santana sobre os 18 anos de carreira

Músico traz turnê “Registro Histórico” para Porto Alegre neste sábado, 6 de junho, no Estádio Beira-Rio

Cantor Luan Santana na gravação do álbum "Registro Histórico", em Curitiba
Cantor Luan Santana na gravação do álbum "Registro Histórico", em Curitiba Foto : Caio Mayer / Divulgação / CP

Poucos artistas conseguem a façanha que Luan Santana conquistou: 18 anos de carreira, sem envolvimentos em polêmicas e uma legião de fãs fiéis que lotam estádios e dormem em filas para ver uma apresentação. Não só em todo o Brasil, como em lugares da Europa e Estados Unidos, por onde o músico já passou. Aos 35 anos, o cantor sul-mato-grossense, nascido em Campo Grande, mantém a constância de lançamentos como se estivesse recém iniciando a carreira. Não ocupa mais o topo das plataformas de áudio como há 17 anos, quando “Meteoro” tomou conta das paradas mas, somente no Spotify, acumula 11,6 milhões de ouvintes mensais. Em Porto Alegre, desde 2010, Luan Santana mobiliza seu “fandom” em torno de casas de evento e espaços culturais. Começou no Gigantinho, passou pelo Auditório Araújo Vianna, Pepsi On Stage (atual KTO Arena) e até mesmo pelo estacionamento da Arena do Grêmio. Em 2023, trouxe o “Luan City Festival” pela primeira vez ao Estádio Beira-Rio, com as participações de Guilherme e Benuto, Jorge & Mateus e João Gomes, recém conhecido pelo público gaúcho.

Neste sábado, 6, a partir das 16 horas, é a vez de retornar ao mesmo estádio, com uma diferença: sobem ao palco Luan Santana, sua trajetória musical e a banda. Isso porque o “Registro Histórico” é uma fusão de todos os sucessos e canções marcantes para o artista ao longo de quase duas décadas de carreira. Gravado em Curitiba, em outubro de 2025, o álbum tem quase três horas de duração e uma super produção que está sendo reproduzida nas cidades brasileiras. Desde 29 de maio, 8 dias antes do show em Porto Alegre, a equipe já trabalhava na montagem da estrutura, com palco 360º em formato similar a clave de sol, utilizada pelo cantor até o CD “Quando Chega a Noite”, de 2012.

Entrevistado pelo Correio do Povo, o cantor explica a turnê e fala sobre a relação com os fãs.

CORREIO DO POVO: É possível fazer um balanço da tua carreira após 18 anos? Quais foram as principais mudanças ao longo da tua trajetória profissional?

LUAN SANTANA: O maior balanço que faço é perceber que continuo vivendo meu sonho com a mesma paixão do começo. Claro que muita coisa mudou… amadureci como artista, como homem e também na forma de enxergar a música. Hoje, tenho muito mais consciência sobre tudo o que envolve um show, um projeto, uma carreira. Ao mesmo tempo, tento preservar o frio na barriga de quando subi no palco pela primeira vez. Acho que a essência continua a mesma.

CP: Desde a primeira grande turnê que fizeste, é possível perceber o interesse em criar um “universo” para os fãs. As ideias partem de ti?

LS: Eu gosto de participar de tudo: conceito, repertório, do cenário, da narrativa visual... porque acredito que o público merece viver uma experiência completa. Sempre fui apaixonado por transformar o show em algo além da música. Quero que as pessoas entrem naquele universo e saiam dali levando uma memória especial. Porque o sentimento é recíproco, não à toa que conexão se faz com essa troca entre fãs e o artista.

CP: Por onde começa a construção deste “universo”?

LS: Normalmente, começa pela emoção que eu quero provocar. Antes de pensar em palco ou tecnologia, penso no sentimento. A partir disso, vamos construindo identidade visual, iluminação, cenário, músicas, momentos do show… tudo precisa conversar entre si. É quase como montar um filme ao vivo.

CP: Quando surgiu a vontade de gravar o “Registro Histórico”?

LS: Quando percebi que minha trajetória já tinha histórias suficientes para virar uma turnê realmente marcante. Foram muitos momentos especiais nesses 18 anos e eu queria transformar isso num grande espetáculo, celebrando não só minha carreira, mas também a caminhada dos fãs comigo. “Registro Histórico” nasceu muito desse sentimento de gratidão.

Segundo dia de gravação do álbum "Registro Histórico", de Luan Santana, em Curitiba | Foto: Caio Mayer / Divulgação /CP

CP: Como foi a criação do setlist? Terá alguma variação para cada cidade?

LS: Montar esse setlist foi uma das partes mais difíceis porque, graças a Deus, tenho muitas músicas que marcaram fases diferentes da minha carreira. A ideia foi construir uma linha emocional, passando pelos grandes sucessos e também por momentos mais íntimos. E, sim, sempre gosto de deixar espaço pra mudanças, porque cada cidade tem uma energia diferente e, às vezes, o público acaba guiando algumas escolhas ali na hora.

CP: Tem alguma canção que seja a mais significativa pra ti?

LS: É difícil escolher uma só, porque cada música representa uma fase da minha vida. Mas “Meteoro” sempre vai ter um significado muito forte porque foi a canção que mudou tudo pra mim. Ao mesmo tempo, existem músicas mais recentes que refletem meu amadurecimento pessoal e artístico. Acho que cada uma tem seu lugar especial na minha história.

CP: Como tu vê a construção da tua imagem como um artista jovem até chegar à carreira consolidada que construíste? O que ainda pretende conquistar?

LS: Foi uma construção natural. Eu cresci diante do público e acho que as pessoas acompanharam todas as minhas fases de forma muito verdadeira. Nunca tentei ser o que eu não era. Hoje me sinto muito realizado com tudo que construí, mas ainda tenho muitos sonhos. Quero continuar inovando, fazendo projetos grandiosos, levando minha música cada vez mais longe e vivendo experiências diferentes dentro da arte.

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CP: O que mudou na tua rotina de shows e na dedicação para a música após o nascimento da tua filha, a Serena?

LS: Mudou muita coisa. A Serena trouxe um novo sentido pra minha vida. Hoje eu valorizo ainda mais o tempo, os momentos em família e até a forma como administro a minha rotina. Ao mesmo tempo, ela me inspira muito. Acho que depois que a gente vira pai, tudo ganha um peso emocional diferente, inclusive a música.

CP: Sobre o show em Porto Alegre, como é subir ao palco de um local que esgotou ingressos em poucas horas?

LS: É uma emoção gigantesca e uma responsabilidade muito grande. Quando vejo uma resposta dessas do público, eu entendo que as pessoas realmente querem viver aquele momento comigo. Porto Alegre sempre teve um carinho enorme pela minha carreira e saber que esse show mobilizou tanta gente me deixa feliz demais.

CP: Teus dois primeiros shows aqui foram no Gigantinho, que é ao lado do Beira-Rio. Como é ocupar o estádio agora?

LS: Impossível não lembrar daquele começo. Tenho memórias muito especiais do Gigantinho e olhar agora pro Beira-Rio faz tudo parecer ainda mais simbólico. Acho que representa muito essa caminhada construída ao longo dos anos. Dá orgulho olhar pra trás e perceber a evolução junto com o público.

CP: E a relação com os gaúchos?

LS: Sempre foi muito intensa. O público gaúcho tem uma entrega muito forte, canta tudo, vive o show de verdade. Eu sinto um carinho muito sincero vindo deles desde o começo da carreira. Toda vez que volto ao Rio Grande do Sul, parece que reencontro amigos de longa data.

CP: Numa avaliação mais ampla, como tu observa a posição atual do sertanejo romântico tendo em vista o “agronejo”?

LS: Acho que a música sertaneja é muito grande justamente porque consegue se reinventar sem perder sua essência. Existem espaço e público pra todos os estilos dentro do gênero. O sertanejo romântico continua muito forte porque ele fala diretamente sobre sentimento, sobre histórias que as pessoas vivem. E emoção nunca deixa de conectar as pessoas. Eu acredito muito nessa força das canções que atravessam gerações.

* Sob supervisão de Luiz Gonzaga Lopes

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