A exposição “Depois de 1000 Anos” abre ao público neste sábado, às 11h, no Museu de Arte do Paço (Praça Montevidéu, 10). Esta é a terceira mostra individual do gaúcho Leo Stockinger, radicado há 20 anos em Sydney (Austrália), em Porto Alegre. Compõem a exposição sete obras de grande porte em madeira e aço, construídas manualmente por Leo nos últimos meses durante a temporada em que está na Capital.
As esculturas medem de 2 a 3 metros de altura. Uma delas está instalada na frente do prédio, na área externa. A operação para retirar as obras de onde estavam, na Galeria Stockinger, no bairro Moinhos de Vento, e levar ao museu no Centro Histórico precisou contar com guindaste para içar as esculturas. Em entrevista ao Correio do Povo, o artista contou que a madeira utilizada nas obras são de antigos postes de luz que receberam tratamento.
Sobre o trabalho em metal, ele traz o aprendizado com o avô Xico Stockinger (1919 - 2009), além dos estudos realizados na National Art School de Sydney, onde se formou. “A minha proposta foi desafiar a escala. Trabalhei com o equilíbrio”, revelou. Na concepção do autor, a materialidade da madeira traz a questão da vida. E ela está tensionada pelo aço.
Este trabalho foi realizado manualmente pelo artista. “Eu quis deixar nas obras as marcas do processo do metal derretido, as forjas que permitem ver a maleabilidade do aço”, conta Leo. O resultado lembra um exoesqueleto.
A oportunidade de expor no Museu do Paço partiu de um convite de Paulo Amaral. “Eu quis questionar a ocupação do espaço, como a madeira e o aço se comportam, de maneira a desafiar o espectador, que poderá caminhar ao redor da obra”, comenta. A ocupação do espaço público também integra o questionamento do projeto.
Com a curadoria de Bernardo José de Souza, a mostra foi planejada para que o segundo andar do Paço Municipal seja dividido em três atos. Na primeira sala, obras de grandes formatos e uma iluminação dramática conduzem o espectador.
O segundo ato apresenta mais duas esculturas. “A madeira agora resiste, tensionada em seu momento de simbiose com o aço”, complementa o artista plástico. O terceiro ato apresenta uma peça em que o jogo de luz assume o tempo como matéria. A escultura passa a ter um papel ativo.
Uma das fontes de referência para esta exposição também foi o filme italiano “Deserto Rosso”, de Michelangelo Antonioni (1964), que mostra um mundo de transformações, especialmente na sonoridade, nos ruídos e como podem gerar a angústia. “É um ambiente hostil, ao qual as pessoas acabam se acostumando. A arquitetura industrial e um mundo de lixo tóxico que estão presentes no filme servem como referência para questionarmos como as cidades funcionam, como a sociedade está crescendo e ao que estamos dando valor”, diz Leo. “A arte tem este lugar de confrontar, de fazer analogias e nos dá instrumentos de comunicação, de pensar que espaço estamos ocupando”, completa.
A mostra “Depois de 1000 anos” permanece em cartaz até o dia 31 de agosto. A visitação pode ser realizada de segunda a sexta-feira, das 9h às 17h. Entrada gratuita.