Arte & Agenda

A Transforma Cia de Dança circula com o espetáculo ‘Ecos’

O grupo artístico passa pelas cidades de Rio Grande e Taquari nesta semana

A Transforma Cia de Dança  leva o espetáculo 'Ecos' para cidades atingidas pelas enchentes
A Transforma Cia de Dança leva o espetáculo 'Ecos' para cidades atingidas pelas enchentes Foto : Alexei Willy / Divulgação / CP

No ano em que uma catástrofe ambiental afetou de forma avassaladora o Rio Grande do Sul, a Transforma Cia de Dança trouxe à cena uma obra que transcende a dança ao explorar a interconexão entre a humanidade e o meio ambiente, inspirado no conceito de Gaia, de José Lutzenberger (1926-2002). “Ecos” é uma releitura do espetáculo original, que estreou em 1993, um ano após a RIO92 (ONU). A montagem é uma resposta à necessidade urgente de abordar o desequilíbrio ambiental causado pelas ações inconsequentes da sociedade, conduzindo o público desde a harmonia primordial até a dissonância causada pelo individualismo desenfreado. Os bailarinos transbordam em sua arte questões do mundo contemporâneo, como o excesso de lixo que a humanidade produz.

Agora, o espetáculo entra em circulação com apresentações em Rio Grande e Taquari, duas cidades gaúchas atingidas pela enchente do ano passado. O grupo fará duas sessões gratuitas – seguidas de bate-papo – por município para alunos de escolas públicas, artistas locais e ONGs que atendem pessoas com deficiência (PCDs), além de oficinas para profissionais e estudantes de dança local, compartilhando técnicas e pesquisas coreográficas do espetáculo. No dia 10 (segunda-feira), às 10h e 15h, ECOS será apresentado no Teatro Municipal do Rio Grande e, no dia 14 (sexta-feira), também às 10h e 15, a montagem chega ao Theatro São João, em Taquari.

“Além de proporcionar vivências culturais para alunos da rede pública, o espetáculo é uma poderosa ação de educação ambiental através da dança. É crucial despertar a consciência de crianças e adolescentes para essas questões, garantindo um futuro mais sustentável, e repensar nossas formas de viver e coabitar enquanto ainda temos tempo para desacelerar, resgatar e proteger os recursos naturais disponíveis”, destaca o bailarino e produtor da Companhia, Fernando Muniz.

A obra busca traduzir, através da poética da dança, a evolução da relação da humanidade com o seu meio, a sua harmonia, mas também a dissonância crescente em virtude de uma atitude cada vez mais individualista. Uma sociedade de consumo que, ao andar, deixa em suas pegadas um rastro de resíduos que perdurarão muito além da existência do indivíduo. A natureza dá os seus sinais, cabe a nós repensarmos nosso viver para que esse grito de socorro seja um eco de transformação.

“A representação cênica atualiza a obra original e busca traduzir, através da poética da dança, a evolução da relação da humanidade com o seu meio, a sua harmonia, mas também a dissonância crescente em virtude de uma atitude cada vez mais individualista. Está no DNA da Transforma abordar assuntos pertinentes à sociedade, e com “Ecos” não é diferente. Queremos convidar o público a repensar sobre suas atitudes, com o intuito de despertar para a consciência uma reflexão sobre os comportamentos individuais que afetam o coletivo. Para construirmos um futuro mais sustentável, compete a nós a postura ética de escolher o melhor caminho”, escreveu a fundadora da Transforma Cia de Dança Suzana d’Ávila, falecida em 2023.

“Ecos” recebeu dois prêmios Açorianos de Dança 2023, nas categorias Coreografia (Suzana d’Avila e Pamela Agostini), e Destaque Intérprete, com Bruno Manganelli. Também foi um dos 15 selecionados entre 150 espetáculos para o Festival Movimenta Cena Sul.

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