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Anne Carson: conheça os livros da vencedora do Nobel de Literatura

Conheça oito obras da poeta canadense, marcada pelo diálogo entre a literatura clássica, a poesia e a experimentação

Da mitologia grega a Proust, escritora construiu uma obra que mistura poesia, ensaio, ficção e tradução
Da mitologia grega a Proust, escritora construiu uma obra que mistura poesia, ensaio, ficção e tradução Foto : Montagem CP

A poeta e ensaísta canadense Anne Carson foi anunciada nesta quinta-feira (8) como vencedora do Prêmio Nobel de Literatura. Aos 76 anos, a autora foi reconhecida pela Academia Sueca por sua “obra ousada e inventiva que, em diálogo lúdico com a tradição clássica, criou novas formas para a literatura contemporânea”.

Nascida em Toronto, Carson construiu uma obra marcada pelo cruzamento entre poesia, ensaio, ficção, tradução e estudos clássicos. A literatura da Grécia Antiga é uma de suas principais referências, mas seus livros também dialogam com autores modernos, personagens históricos e questões como amor, desejo, perda, identidade e linguagem.

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No Brasil, parte importante de sua produção já está disponível. Confira oito livros da escritora:

O método Albertine | Editora: Edições Jabuticaba

“Em busca do tempo perdido”, de Marcel Proust, é revisitado e recortado por Anne Carson neste livro. Dedicada aos estudos clássicos, mas também ocupando um espaço deslizante entre ensaio, tradução, crítica e principalmente poesia, a autora deste Método Albertine estabelece com a obra de Proust um tipo de luta corpo a corpo, que inclui impaciência, para dizer o mínimo, e muita fascinação, humor e também algum sofrimento.

Autobiografia do vermelho | Editora: Editora 34

“Autobiografia do vermelho” é seu livro mais conhecido. Nele, a autora recria nos nossos tempos o mito grego de Gerião, um monstro vermelho a quem Héracles teve de exterminar para assim cumprir um de seus doze trabalhos. Sob o signo de Gertrude Stein, Emily Dickinson e do obscuro Estesícoro, primeiro poeta a tratar em formas líricas o mito de Gerião nos séculos VII-VI a.C., Carson compôs este “romance em versos”, transformando Gerião em um menino sensível e absorto que vivencia uma intensa relação amorosa com Héracles.

Sobre aquilo em que eu mais penso | Editora: Editora 34

A coletânea, que reúne 11 ensaios, transita por diferentes modos de prosa e poesia. Ao longo de onze textos, escritos num arco de mais de uma década, “Sobre aquilo em que eu mais penso” oferece uma visão abrangente dos principais interesses que movem o pensamento de Anne Carson. Ela aproxima os autores aparentemente mais distantes, por meio de um olhar investigativo extremamente sensível a elementos perenes da experiência e da cultura humanas: o tempo em Virginia Woolf e Tucídides, o sono em Homero e Elizabeth Bishop, o documental em Longino e Antonioni, o intraduzível em Francis Bacon e Joana D"Arc.

Eros, o doce-amargo | Editora: Bazar do Tempo

“Safo foi a primeira a chamar Eros de "doce-amargo". Ninguém que já se apaixonou discorda. O que significa essa palavra?”, pergunta Anne Carson. A resposta é a investigação que a ensaísta e poeta canadense empreende nesta obra, perscrutando o conceito de “eros” a partir da Grécia antiga e evocando referências da poesia, filosofia, literatura, história e psicanálise ao longo dos séculos. Assim, Carson produz um panorama sobre as interpretações do amor, analisando em uma abordagem ao mesmo tempo profunda e espirituosa o caráter duplo e ambíguo do sentimento erótico.

A beleza do marido: um ensaio ficcional em 29 tangos | Editora: Bazar do Tempo

A beleza do marido é um ensaio sobre a ideia do poeta John Keats de que a beleza é verdade, e também a história de um casamento contada em vinte e nove tangos. Um tango – assim como um casamento – é algo que você precisa dançar até o fim.

Antigonick | Editora: Bazar do Tempo

Em “Antigonick”, Anne Carson oferece uma tradução singular da tragédia clássica de Sófocles. Sem abrir mão da força do original, ela assume a liberdade para reinventar ritmos, imagens e vozes, aproximando um dos textos fundadores da literatura ocidental da sensibilidade contemporânea e preservando toda a intensidade do confronto entre a lei do Estado e a consciência individual.

A singularidade de “Antigonick” também está no humor e na ousadia dos comentários intercalados ao longo do texto. Nessa leitura, o luto e a responsabilidade moral de honrar a memória do irmão morto ocupam o centro da tragédia. Creonte, homem da ação e da palavra, é retratado como um tirano brutal e sanguinário, até uma reviravolta final.

Falas curtas | Editora: Relicário Edições

“Falas curtas” é composto por uma série de poemas em prosa trazidos por uma voz ao mesmo tempo altruísta e indireta. Uma voz profundamente pessoal, mas também difícil de desvendar. Estes poemas chegam como uma luz em um quarto escuro e, como na maioria dos livros de Anne Carson, remetem à história registrada, pedindo para ver entre as rachaduras dos fatos um novo tipo de verdade.

Os poemas olham cada um para um lado (Homo Sapiens, Gueixas, Brigitte Bardot, Chuva, Leitura, Gertrude Stein, Ovídio no exílio, Sylvia Plath e muitos outros), para entender como aquela pessoa, lugar, coisa, situação foi empurrada para outra. Mas no centro deste livro está também um chamado de volta ao leitor. Algo que abre uma necessidade de resposta; uma necessidade de compor entre as rachaduras deixadas pelas palavras. A edição brasileira é bilíngue e preserva o jogo de linguagem característico da autora.

Vidro, ironia e deus | Editora: Relicário Edições

"Vidro, ironia e deus” é uma coletânea de textos em que Anne Carson tece fios poéticos que transitam entre o íntimo e o erudito, o clássico e o contemporâneo. O livro é composto por seis blocos – cinco poemas longos e um ensaio final –, que exploram temas como amor e perda, identidade, alienação e a tentativa de compreender o sagrado e o profano.

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