O epílogo do 32° Porto Alegre em Cena propõe mais que uma homenagem. É um resgate à afetividade: na arte, na vida, para todos. Carlota Albuquerque é um dos mais respeitados nomes da dança contemporânea brasileira. E a retomada do projeto Gaúchos em Cena, marca o lançamento da biografia da coreógrafa e diretora, nesta quarta, 29, às 19h, no Teatro Oficina Olga Reverbel (Riachuelo, 1089), às 19h. A data marca o Dia Internacional da Dança.
“Jamais imaginei ter minha trajetória sendo homenageada assim, de forma tão especial, no Porto Alegre em Cena. Quando recebi o convite da querida Letícia Vieira, paralisei, de verdade! Era como se o tempo tivesse dado uma pausa. Ela me olhava e eu disse "preciso pensar", mas não era sobre aceitar ou negar, eu precisava entender este vulcão de emoção que estava ali para explodir! Que presente, que felicidade para uma artista estar em cena num livro! Isto é pra sempre”, emociona-se Carlota Albuquerque.
Colaboração na escrita da biografia
A escrita desta edição de Gaúchos em Cena foi realizada pela pesquisadora, teórica do teatro e filha de Carlota, Joana de Albuquerque e pela atriz e gestora cultural Gabriela Munhoz, que se debruçaram sobre a escrita em gesto de escuta, reflexão e partilha. “Estar ao lado de Joana nessa travessia foi lindo, Joana é muito Carlota - mesma energia, sensibilidade, risada solta. Nos demos as mãos como irmãs, e não acho surpreendente isso uma vez que me sinto também (um pouco e muito) filha de Carlota. Foi uma experiência de puro amor, que é o que essa mulher exala e pulsa, sobretudo no seu ofício, no seu talento. É indissociável o afeto da sua dança”, conta Gabriela.
O olhar de filha e pesquisadora
“Falar sobre a Carlota (ela é minha mãe) e falar dela como mãe, como artista, como uma representante tão forte da cena no RS é uma tarefa que foi quase impossível. Tive sorte de compartilhar isso com a Gabriela, trocamos muito, porque a mãe dela que apresentou a Carlota pra Gabriela. A gente tem uma relação forte com esse laço da maternidade e com a visão de quem nos colocou no mundo através da arte e de quem colocou a arte na nossa vida pelo maternar. Escrever essas memórias, e muitas foram compartilhadas comigo, e tentar trazer um olhar de pesquisadora, de investigadora da cena, foi difícil”, detalha Joana de Albuquerque.
Sobre a biografia de Carlota Albuquerque
O texto propõe não apenas um registro biográfico, mas um exercício de memória viva, que reconhece a artista em sua dimensão criadora, formadora e transformadora, reafirmando a importância de narrar e preservar histórias que constituem o presente e o futuro das artes cênicas. Extremamente afetiva, a biografia traduz o fazer cênico de Carlota, que é movida pelo sentimento. O título do livro, “Carlota Albuquerque O Coletivo ou Nada”, transmite a forte vocação coletiva de Carlota. “E não só em um sentido de grupo, ela sempre fez parte de coletivos, sempre lutou pela existência e pela resistência dos grupos no RS e acabou se tornando uma referência nisso no Brasil inteiro”, orgulha-se a filha.
Resgate da memória artística gaúcha
Na retomada do Gaúchos em Cena, paralisado desde 2018, o festival reafirma o compromisso histórico com a salvaguarda da memória artística do Rio Grande do Sul. A cada edição, o projeto dedica-se à elaboração de uma biografia sensível de um artista do Sul do país.