Arte & Agenda

Cinema brasileiro encanta Paris

Festival homenageia Dira Paes e exibe retrato plural do país, com presença de autoridades e convidados especiais

Atriz e diretora Dira Paes foi celebrada por seus 40 anos de carreira nas artes
Atriz e diretora Dira Paes foi celebrada por seus 40 anos de carreira nas artes Foto : Marcos Santuario / Especial CP

Na noite da última terça-feira, 28 de abril, Paris viveu uma de suas noites mais brasileiras. No coração da cidade, na sala de cinema do L'Arlequin, sala de cinema charmosa e central, teve início o 27º Festival du Cinéma Brésilien de Paris, que segue até o dia 6 de maio com uma programação intensa marcada pela diversidade e urgência do cinema feito pelo Brasil. A cerimônia de abertura foi marcada por emoção e aplausos calorosos, sala lotada e efusividade, especialmente pela homenagem à atriz e diretora Dira Paes, celebrada por seus 40 anos de carreira nas artes. Quem entregou o troféu para a atriz brasileira foi sua colega francesa Maria Föis, madrinha do Festival, e uma das principais atrizes da França contemporânea.

Ovacionada pelo público presente, Dira recebeu a homenagem com gratidão e visível emoção. Em francês, agradeceu:
"Je suis très heureuse et émue par cet hommage, qui donne aussi de la force à toute la production brésilienne."
(“Estou muito feliz e emocionada com esta homenagem, que dá força também a toda produção brasileira.”)

A atriz, símbolo de entrega e versatilidade, tem sua trajetória celebrada com a exibição de diversos de seus trabalhos no festival, vários deles apresentados no Festival de Cinema de Gramado, do qual Dira participou como curadora, em recente edição. Entre as produções a serem vistas no cinema parisiense estão "Pasargada", estreia de Dira na direção, e "Manas", de Marian Brennand, no qual atua como uma das personagens da trama.

Entre os convidados que prestigiaram a noite de abertura do Festival, e aplaudiram a atriz brasileira, estiveram o embaixador do Brasil em terras francesas, Ricardo Neiva Tavares; o presidente da Embratur, Marcelo Freixo; e a presidente da Academia Brasileira de Cinema, Renata Magalhães, quem se emocionou muito com uma homenagem ao seu marido, ao cineasta Cacá Diegues, falecido recentemente.

Mas a festa vai muito além da homenagem. O Festival se afirma, mais uma vez, como um espaço privilegiado para o diálogo entre o Brasil e a Europa, reunindo obras que revelam a pluralidade de narrativas do país — do litoral ao sertão, da ficção à vida real. Entre os títulos em destaque, a abertura do evento se deu com a exibição do longa “Vitória”, com a presença do ator Alan Rocha. Já o encerramento do evento, dia 6, se dará com o longa-metragem "Um Homem com H", dirigido por Esmir Filho e com Jesuíta Barbosa no papel principal, vivendo o cantor Ney Matogrosso.

O documentário “Huni Kui: O Povo Verdadeiro” é outro ponto alto, trazendo ao público europeu a força espiritual e política dos povos originários da Amazônia. É um convite à escuta e ao respeito por saberes que resistem há séculos, agora em diálogo com o mundo através da tela.

Este ano, o festival conta ainda com um convidado especial: o Festival de Cinema de Gramado, um dos mais tradicionais do Brasil, que participa com a exibição de produções que brilharam em sua última edição. Em destaque haverá exibição o longa “Oeste Outra Vez”, uma releitura contemporânea e politizada do faroeste, ambientada em um Brasil de contrastes e resistências, dirigido por Erico Rasi, e que teve sua première brasileira na serra gaúcha. É um intercâmbio simbólico entre a serra gaúcha e a capital francesa, unindo dois palcos consagrados do cinema.

Veja Também

Guia de Programação: a grade dos canais da TV aberta desta quinta-feira, dia 16 de julho de 2026

As informações são repassadas pelas emissoras de televisão e podem sofrer alteração sem aviso prévio