Um desfile de contrastes chega aos cinemas nesta quinta-feira. Há sobrevivência no Alasca, memórias ameaçadas, super-heróis de volta ao passado, dilemas morais que atravessam famílias brasileiras e até um casamento de aluguel prestes a descobrir que sentimento não respeita contrato. Mais do que a variedade de gêneros, o que chama atenção é a força dos atores e das vozes que dão corpo a histórias muito diferentes entre si.
Em “Coração Selvagem”, David Ayer coloca Brad Pitt diante de uma experiência em que o heroísmo não depende de armas, efeitos especiais ou grandes exércitos. O agente das forças especiais James Belmont sobrevive a um acidente aéreo no Alasca e, ao lado do cão Odin, precisa enfrentar uma natureza que não negocia. Pitt, também produtor, encontra em J.K. Simmons e Anna Lambe parceiros para uma aventura que desloca o foco da ação para a relação entre homem e animal, coragem e fragilidade. É o cinema de sobrevivência transformado em teste de vínculo.
“A Ilha Esquecida”, agora em estreia oficial, muda radicalmente de paisagem e de público, mas não abandona a ideia de que aquilo que somos depende daquilo que conseguimos preservar. Jo e Raissa, amigas desde a infância, chegam ao lugar que sempre sonharam conhecer e descobrem que suas próprias memórias são o preço para voltar para casa. A animação, dirigida por Joel Crawford e Januel Mercado, indicados ao Oscar por “Gato de Botas 2: O Último Pedido”, aposta em fantasia, amadurecimento e amizade. As vozes originais reforçam uma produção que transforma aventura fantástica em reflexão sobre o medo de esquecer.
O cinema brasileiro, porém, é quem introduz os conflitos mais incômodos. “Precisamos Falar”, de Rebeca Diniz e Pedro Waddington, reúne Marjorie Estiano, Alexandre Nero, Emílio de Mello e Hermila Guedes em torno de uma pergunta sem resposta confortável: o que fazer quando os próprios filhos adolescentes são responsáveis pela morte de uma mulher em situação de rua? Proteger ou entregar à Justiça? Adaptado de “O Jantar”, de Herman Koch, o thriller transforma o jantar familiar em campo de batalha moral e aproxima o conflito das tensões sociais e políticas brasileiras.
Já “Virtuosas”, de Cintia Domit Bittar, com Bruna Linzmeyer, Maria Galant e Juliana Lourenção, amplia a presença nacional entre as estreias, enquanto “Marido de Aluguel”, de Paulo Fontenelle, com Maurício Manfrini, Mariana Xavier e Alexandre Lino, troca o peso do dilema moral pela comédia romântica. Uma herança, um casamento de fachada e a velha imprevisibilidade do amor.
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Sete anos depois, “Vingadores: Ultimato Encore” retorna às telas. Robert Downey Jr., Chris Evans e Mark Ruffalo voltam a ocupar um território que já faz parte da memória afetiva de milhões de espectadores. A nova versão acrescenta introdução, conteúdo e cena pós-créditos, funcionando também como ponte para “Vingadores: Doutor Destino”. O relançamento pergunta quanto de um fenômeno cinematográfico ainda permanece vivo quando a história já parece conhecida.