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E se Pinóquio tivesse crescido?

A peça teatral gaúcha “Geppetto” parte do texto lançado pelo italiano Carlo Collodi, em 1883, mas somente como ponto de partida

Ator Fábio Cuelli na peça teatral 'Geppetto'
Ator Fábio Cuelli na peça teatral 'Geppetto' Foto : Caio Amon / Divulgação / CP

O espetáculo “Geppetto” tem um novo período de apresentações em Porto Alegre, desta vez no Teatro Carlos Carvalho na Casa de Cultura Mario Quintana (Rua dos Andradas, 736), de hoje a sexta-feira, às 20h. O ator Fábio Cuelli interpreta o monólogo ambientado em um ateliê, no qual manipula uma marionete híbrida (Geppetto).

A apresentação não se parece em nada com a adaptação da Disney feita para crianças. Pelo contrário, a adaptação do texto do italiano Carlo Collodi (1883) feita por Nelson Diniz parte de uma hipótese: e se Pinóquio, o boneco de madeira, tivesse realmente se tornado um humano e crescido? Como seria a relação com seu pai, Geppetto? A criança cresce e o adulto envelhece.

O espetáculo comemora os 10 anos do grupo Máscara EnCena, do qual Cuelli faz parte. O cenário é clean, com belas luminárias altas e uma mesa. Além disso, é o ator quem opera a trilha e a iluminação a partir do próprio palco. Enquanto se dirige ao público, o protagonista fala português. Mas quando fala com o pai, fala o Talian.

Mesmo quem não entende a língua, consegue compreender pelo contexto o que está sendo dito, como palavras de consolo e encorajamento. O pai idoso tem dificuldade de locomoção e necessita cuidados para se alimentar e limpar. O filho cuida do pai, mas, frente à teimosia do velho em algumas situações, por vezes se enerva. Este Pinóquio adulto reflete sobre sua relação e herança paternas. Enquanto Geppetto manipulava peças de madeira, o filho se tornou um médico e manipula corpos, além de ter como hobby o mesmo ofício manual do pai.

Nelson Diniz, que escreveu um artigo no último Caderno de Sábado do Correio do Povo (leia abaixo) sobre este trabalho e também repetiu a frase em um debate após a sessão realizada na sexta-feira passada, questiona: que tipo de Geppetos e de Pinóquios nos tornamos ou que escolhemos para nós?

A direção cênica de Liane Venturella conduz o ator com leveza pelo espaço, ainda que em determinados momentos ele use as ferramentas com intensidade. Para quem chega no teatro após um dia corrido, é bom respirar fundo e se preparar para uma história de muita delicadeza, em que impera o tempo cuidadoso dos escultores.

Que tipo de Geppetto ou Pinóquio queremos ser?, questiona Nelson Diniz sobre a história de um filho e de um pai

Serviço:

Espetáculo teatral “Geppetto”

Quando: De quarta (17) a sexta-feira (19/6/2026), às 20h

Onde: Teatro Carlos Carvalho, no 2º andar da Casa (Rua dos Andradas, 736), Centro Histórico, Porto Alegre

Ingressos: Via plataforma EntreAtos

Acessibilidade: A sessão de quinta-feira (18/6) contará com interpretação em Libras, realizada pela “Para Todos Acessibilidade”

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