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Eduardo Moscovis fala sobre violência cotidiana no monólogo “O Motociclista no Globo da Morte”

Ator comenta o impacto do texto e a participação da peça no 20º Festival Palco Giratório Sesc

“O Motociclista no Globo da Morte” é estrelado por Eduardo Moscovis
“O Motociclista no Globo da Morte” é estrelado por Eduardo Moscovis Foto : Catarina Ribeiro / Divulgação / CP

A programação do 20º Festival Palco Giratório Sesc recebe, nos dias 26 e 27 de maio, o espetáculo “O Motociclista no Globo da Morte”, estrelado por Eduardo Moscovis e dirigido por Rodrigo Portella. Com texto de Leonardo Netto, a peça recebeu três indicações ao Prêmio Shell (dramaturgia, ator e iluminação) e duas indicações ao Prêmio APTR de Teatro, nas categorias ator protagonista e dramaturgia.

No monólogo, Moscovis interpreta Antonio, um matemático racional e avesso à violência que, em uma tarde comum, acaba envolvido em uma situação extrema dentro de um bar. Em entrevista, o ator falou sobre o impacto do texto, a construção minimalista da montagem e a participação no Palco Giratório. Ingressos no site do evento.

Correio do Povo: O que mais chamou sua atenção no texto de “O Motociclista no Globo da Morte” quando teve o primeiro contato com a obra?

Eduardo Moscovis: Na verdade, a forma como o Léo propõe a condução da dramaturgia. Porque ele é um monólogo. É um cara que entra para fazer um depoimento. Então, a forma como ele conduz esse depoimento é muito envolvente. Foi assim para mim quando li pela primeira vez e percebo que esse envolvimento acontece, na grande maioria das vezes, com o público também, pelo retorno que recebo.

A forma como a história é contada, lógico que agora também com a encenação do Rodrigo, da luz e tudo mais, mas acho que tudo isso parte do texto do Léo, da forma como ele construiu a dramaturgia e sobre o que ele fala diretamente.

Ele acessa um lugar do cotidiano, muito próximo do nosso dia a dia, de pessoas comuns. E de como a gente é atravessado por pequenas intervenções diárias de desrespeito, falta de educação e falta de ética. Como vamos acumulando e aceitando essas intervenções até o momento em que esse cara, a princípio pacato e avesso à violência, acaba sucumbindo a um impulso inesperado.

O texto comunica muito diretamente com a plateia. Cada um leva as suas próprias reflexões sobre essa questão da violência. Às vezes, conversando com as pessoas depois da peça, uma fala sobre um acontecimento do texto, outra fala sobre outra coisa completamente diferente. Cada um recebe essas informações a partir das conexões com a própria vida.

CP: O título “O Motociclista no Globo da Morte” remete a uma sensação de perigo controlado. Essa ideia está presente na peça?

EM: Fazendo o espetáculo e conhecendo o texto, eu acho que é isso mesmo: uma analogia a um risco controlado, entre aspas, porque sempre sujeito a acidentes.

CP: A montagem tem uma proposta minimalista, com você sozinho em cena e praticamente apenas uma cadeira no palco. Como foi construir esse monólogo?

EM: A proposta inicial do Léo era justamente esse cara sentado contando a história. Nos ensaios, o Rodrigo Portella propôs algumas vezes que eu desenvolvesse ações, andasse pelo palco, buscasse outras movimentações. Mas a gente sempre voltava para a cadeira. Parecia que eu perdia força e potência quando levantava.

Então, em um momento dos ensaios, ele falou: ‘Du, acho que é você sentado na cadeira mesmo’. E foi isso.

É uma proposta muito instigante como encenação. Para mim, como ator, fazer um monólogo já significa estar sozinho em cena. E ainda sentado durante todo o tempo. Mas tem sido um exercício muito interessante.

CP: A iluminação também chama atenção pela discrição. Como ela contribui para a atmosfera do espetáculo?

EM: Não temos recurso de pirotecnia, projeção, alto-falante ou microfone. É uma luz com movimentos muito longos, sem cortes bruscos, sem explosões. Acho uma iluminação linda, que acompanha o ritmo do texto e da história.

CP: Apresentar o espetáculo dentro da programação do Palco Giratório tem um significado especial?

EM: A peça é pequena no sentido intimista. É um ator sentado em uma cadeira contando uma história, com toda a grandiosidade que existe nisso. Não é um espetáculo pensado para grandes plateias ou teatros enormes.

Então, a possibilidade dos projetos do Sesc e dos festivais é exatamente proporcionar o deslocamento do espetáculo. Todos esses convites são muito bem-vindos. E normalmente são públicos já acostumados a esse tipo de proposta cultural, como o Palco Giratório.

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