Arte & Agenda

Espetáculo dá luz à história da jornalista Jurema Finamour

Jurema foi uma das primeiras jornalistas mulheres do Brasil e a primeira mulher a se tornar presa política no Estado durante a ditadura militar

‘A Mulher Que Virou Bode: A História Perdida de Jurema Finamour’ tem apresentação no domingo
‘A Mulher Que Virou Bode: A História Perdida de Jurema Finamour’ tem apresentação no domingo Foto : Gilberto Perin / Divulgação / CP

O espetáculo “A Mulher Que Virou Bode: A História Perdida de Jurema Finamour”, conta-se a história de Jurema em uma encenação que a revive não apenas no texto cênico, mas também em todos os elementos que compõem a montagem – no movimento, na cor da iluminação, na atmosfera, no figurino, nas máscaras. Em uma tentativa de devolver corpo, voz e presença a Jurema, a realização da Rakurs Teatro acontece neste domingo, dia 24 de maio, às 19h, no Teatro de Câmara Túlio Piva (rua da República, 575), pela 20ª edição do Festival Palco Giratório Sesc/RS. Os ingressos e a programação completa do festival podem ser adquiridos e conferidos no site do evento.

“Eu gosto muito de dizer que foi um trabalho de escritura cênica”, relata o diretor da produção Marcelo Bulgarelli. Inspirada no livro “Jurema Finamour: a jornalista silenciada”, escrito por Christa Berger, a peça se apropria do nome da autobiografia escrita pela própria Jurema – uma das primeiras jornalistas mulheres do Brasil e a primeira mulher a se tornar uma presa política no Rio Grande do Sul durante a ditadura militar. Dentro do texto do espetáculo, muitos trechos são da obra de Jurema. A partir do jogo cênico, entretanto, não existe apenas uma personagem que é Finamour. “Todas as mulheres em cena são Juremas, elas se revezam, elas jogam”, comenta Bulgarelli.

“[A figura do bode] surge no espetáculo como uma metáfora dessa mulher que foi transformada em bode expiatório. Ela funciona como um símbolo de resistência, de sobrevivência, de reinvenção. Então, o espetáculo trabalha constantemente com essa ambiguidade entre violência e potência, entre o apagamento e a permanência”, diz Bulgarelli. A montagem se desenvolveu a partir de uma extensa pesquisa, que envolveu personagens como a melhor amiga de Jurema, Maria Helena Correa Pires, falecida neste mês de maio. Como um documento em cena, a peça permite ao espectador se aprofundar na vida de Jurema, reconstituindo não só sua história, mas seu jeito de ser em uma narrativa não-linear, que mistura teatro, dança, música e audiovisual.

O espetáculo tem trilha sonora original, assinada por Antônio Villeroy, com arranjos vocais de Simone Rasslan. O elenco é formado por Deliane Souza, Eulália Figueiredo, Iandra Cattani, Luiza Waichel (que também é a dramaturga da peça) e Sofhia Lovison.

O espetáculo "A Mulher que Virou Bode: A História Perdida de Jurema Finamour" recebeu 11 indicações ao Prêmio Açorianos de Teatro Adulto de 2025, conquistando quatro estatuetas. As vitórias ocorreram nas seguintes categorias: Melhor Direção (Marcelo Bulgarelli), Melhor Elenco (Deliane Souza, Eulália Figueiredo, Iandra Cattani, Luiza Waichel e Sofhia Lovison), Melhor Atriz Coadjuvante (Eulália Figueiredo) e Melhor Trilha Sonora Original (Antônio Villeroy).

O sábado e domingo de Palco Giratório terão como grande atração a leitura cênica “70!”, com o ator e diretor Cacá Carvalho, às 19h, na Sala Álvaro Moreyra. Um ator, um homem simples, chega e diante do público fala. É uma data de festa e ele tem o momento prosaico de fazer a barba pela manhã. O que ele viu ali dentro daquele espelho. O envelhecimento não bateu à porta, entrou enquanto ele estava ocupado vivendo. Há algo de delicado nisso. O corpo envelhece, sim, mas o faz com uma elegância silenciosa, com poesia e divertimento, como quem sabe que viver é transformar-se sem pedir licença. O texto foi escrito a partir do original de Edyr Augusto Proença, com direção e espaço cênico de Márcio Medina.

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