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Espetáculo "Peça Única" leva cultura ballroom ao Palco Giratório

Montagem da House of Hands Up MS de Campo Grande explora vivências LGBTQIAPN+, dança vogue e moda em Porto Alegre

"Peça Única" se apresenta nesta quinta-feira, dia 28, na programação do Palco Giratório
"Peça Única" se apresenta nesta quinta-feira, dia 28, na programação do Palco Giratório Foto : Pablo Pacheco / Divulgação / CP

Com a potência da cultura ballroom, da dança vogue e das vivências LGBTQIAPN+ em Mato Grosso do Sul, o espetáculo “Peça Única”, da House of Hands Up MS, chega ao palco da Sala Álvaro Moreyra (Érico Veríssimo, 307), nesta quinta-feira, dia 28, às 19h, pela programação do Palco Giratório, com ingressos no site oficial do evento.

Fundada há quase dez anos em Campo Grande, a House of Hands Up MS é considerada pioneira na cena vogue do Mato Grosso do Sul. O grupo nasceu a partir do trabalho do bailarino, coreógrafo e diretor Roger Pacheco, que começou sua trajetória na dança ainda na infância, em projetos sociais da capital sul-mato-grossense. “Eu sou bailarino há exatamente 21 anos. Comecei em um projeto social realizado na minha cidade, Campo Grande. Sempre tive facilidade para dança porque assistia muitos vídeos. [...] Uma amiga me chamou para assistir uma apresentação de dança e fiquei apaixonado. Nunca tinha visto aquilo de perto. Falei: ‘Preciso disso para minha vida’”, relembra Roger.

Segundo Roger, “Peça Única” surgiu da necessidade de criar uma obra que representasse toda a complexidade da cultura ballroom, para além da dança vogue.

“A cultura ballroom permeia muitos meios: dança, moda, comportamento, estética. Só a coreografia não contemplava tudo isso. Então a gente quis criar algo maior, que conseguisse englobar todas essas linguagens e também profissionalizar essas pessoas”, explica.

O projeto ganhou forma após o grupo ser contemplado em um edital. Sem experiência anterior em espetáculos de longa duração, Roger convidou o diretor Marcos Mattos para dividir a criação da obra. “O que sempre esteve na nossa cabeça era que, quando se fala da comunidade LGBT, as pessoas pensam muito em dor e violência. Eu não queria isso para o espetáculo. Queria colocar esses corpos em um lugar de destaque, de riqueza, de empoderamento”, afirma.

O nome “Peça Única” nasce justamente dessa ideia de individualidade e pertencimento coletivo. “Cada corpo é único. Mesmo que a gente se complete como família, cada pessoa é única dentro da nossa casa, dentro do nosso estado e para a sociedade”, resume.

Uma das provocações centrais do espetáculo aparece na pergunta “como produzir vida em cunt?”. Roger explica que o termo faz parte do vocabulário da cultura ballroom e está ligado à presença, ao carisma e à autenticidade.

“Cunt é algo único em você. É o que te torna diferente no meio de todo mundo. Às vezes uma pessoa pode ter muita técnica, mas não ter cunt. Outra pode nem ter tanta técnica, mas chama atenção pelo jeito de ser, pela presença”, explica.

A moda também ocupa papel central na montagem. Responsável pela concepção estética dos figurinos, Roger utiliza referências das categorias de ballroom para criar um visual que mistura individualidade e conexão entre os performers.

“Cada um tem uma unidade, mas todo mundo faz parte disso. Tem peça que sai de mim e complementa o look de outra pessoa. É um estudo sobre o que você tira de uma pessoa e consegue colocar em outra mantendo a potência”, afirma. Os figurinos foram confeccionados pelo designer e costureiro Fernando Frateliê, conhecido em Campo Grande pelo trabalho com artistas drag e integrantes da cena ballroom.

Essa visão acompanha as músicas que compõem o espetáculo: “Finally”, de CeCe Peniston, “Last Dance”, de Donna Summer, e uma releitura desconstruída de “Vogue”, de Madonna.

A participação no Palco Giratório Sesc representa, para Roger, um marco histórico para o grupo. “Quando a house foi indicada já foi uma felicidade enorme. Quando descobri que tínhamos passado, foi uma euforia total. Acho que muito preconceito acontece por falta de acesso. Quando as pessoas assistem ao espetáculo, percebem que somos profissionais, artistas, pessoas falando sobre amor, cultura e existência”, afirma.

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