O mágico e ator paulista William Seven apresenta, nesta terça-feira, dia 2, às 19h, no Estúdio Stravaganza (Dr. Olinto de Oliveira, 68), o espetáculo “A Maçã”. A montagem integra a programação do Festival Palco Giratório Sesc (ingressos aqui) e acompanha a trajetória de Nicolau Souberdes, um ilusionista idoso que, diante do avanço do Alzheimer, passa a transitar entre lembranças, realidade e imaginação. Ao longo dos anos, a montagem percorreu diversas cidades brasileiras e também chegou ao exterior, com apresentações no Canadá, na Coreia do Sul e em países da América Latina. Agora, retorna ao Rio Grande do Sul.
A peça nasceu da união entre a experiência artística de William e a trajetória acadêmica de sua esposa, Salma Hernandez, que desenvolveu pesquisas de mestrado, doutorado e pós-doutorado sobre os efeitos da atividade física em pacientes com Alzheimer.
Segundo o artista, o casal já desejava criar um projeto em conjunto. A ideia surgiu enquanto ele desenvolvia um número de mágica, mas ainda não havia definido completamente quem era o personagem da história. “Eu estava estudando um ato de mágica e não era muito claro para mim qual era o personagem. Era uma história que eu estava contando, mas eu não sabia exatamente qual era o drama dele. Então eu falei: ‘Cara, ele tem Alzheimer’”, relembra o artista. Ele ainda aponta como, a partir dessa definição, começou um intenso processo de pesquisa: “Passei a estudar como se comportam os pacientes e a fazer um laboratório com ela, anotando tudo o que acontecia para criar esse espetáculo”. O desafio, segundo ele, era construir um personagem verossímil, sem caricaturas. “Eu não poderia fazer uma sátira. Queria interpretar um idoso de uma forma que as pessoas realmente acreditassem naquele personagem.”
Um dos diferenciais do espetáculo é a forma como aborda o Alzheimer. Segundo William, enquanto muitas produções tratam a doença sob a perspectiva de familiares, cuidadores ou profissionais da saúde, a peça busca apresentar a experiência de quem convive diretamente com a condição. “Geralmente os espetáculos e documentários tratam a doença pela ótica do cuidador ou do médico. Nós tratamos a doença pela ótica do paciente.” Na trama, Nicolau Souberdes “é um mágico idoso, perdido no tempo, que outrora foi um grande artista e agora se vê perdido entre a realidade, o presente e o passado.”
Talvez por isso, a proposta tem provocado forte identificação do público, conforme aponta o mágico, “as pessoas se emocionam e relatam coisas lindas para nós. Muitas lembram de um pai, de um parente que teve Alzheimer ou que está passando por alguma situação semelhante.”
William destaca que, apesar de alguns momentos de leveza, a montagem opta por preservar a densidade emocional. “É um drama muito comovente. Não podíamos trazer descontração para um tema tão sério.”