A partir de desta quinta-feira, 31 de julho, às 19h, a Casa Amarela (Rua Américo Vespúcio, 377) recebe a exposição “Humanidade Eco-Animal”, do artista, filósofo e pesquisador Thomas Josué Silva. A mostra permanece aberta para visitação gratuita até o dia 22 de agosto, de segunda a sexta-feira, das 14h às 17h. Resultado de uma trajetória marcada pela interseção entre arte, filosofia, antropologia e práticas sociais, a exposição tensiona os limites entre corpo, natureza, ruína e sobrevivência.
Com curadoria sensível e abordagem crítica, “Humanidade Eco-Animal” propõe uma poética da escuta ética em meio à crise civilizatória contemporânea. Thomas Josué Silva, doutor em Antropologia Cultural pela Universidade de Barcelona e com formação em Crítica e História da Arte pela Ufrgs, apresenta obras que recusam os sistemas tradicionais de classificação da arte. Em seu lugar, propõe uma ontologia da fragilidade, onde o humano não é centro, mas vestígio – eco sensível de uma natureza que o transcende. Mais do que uma denúncia ambiental, a exposição é um gesto de atenção radical ao que resta: imagens fragmentadas, corpos em colapso e estéticas marginais emergem como formas de resistência.
Em sua materialidade, reconhece-se também o trabalho do cuidador e do educador que, há décadas, atua junto a comunidades em sofrimento psíquico e social. "Humanidade Eco-Animal” atualiza debates fundamentais da estética contemporânea, como a crítica à centralidade do sujeito, à cisão entre natureza e cultura e à lógica do progresso. Ao afirmar que “o homem se descobre eco”, Thomas convida a escutar o que se ensina a silenciar: o não humano, o abjeto, o que sobra.