“O acaso fez com que eu escrevesse assim” declarou o escritor gaúcho Arthur de Faria na tarde deste sábado, na oficina “Narrador não confiável - escrevendo biografias”, que integrou a agenda da 71ª Feira do Livro de Porto Alegre. Músico, pesquisador e jornalista, Arthur tem em sua trajetória literária quatro obras: “Elis: uma biografia musical”, “Porto Alegre: uma biografia musical vol. 1”, “Lupicínio: uma biografia musical” e “Porto Alegre: uma biografia musical vol. 2” (Editora Arquipélago).
Referência quando se fala em biografia musical, o escritor trouxe ao Auditório Erico Verissimo e ao público um pouco dos bastidores de seu processo de escrita e como é contar a vida de um músico a partir de sua obra – ou a história de uma cidade a partir de sua música. Com um estilo construído pelo jornalismo e consolidado pela pesquisa científica, Arthur traz ao leitor uma misturada equilibrada entre o rigor pelos fatos e uma linguagem acessível, que busca levar à compreensão mesmo aqueles que não são músicos. Seu intuito, em suas palavras, é “escrever como se estivesse falando”, com regras que respeitem tanto a norma culta quanto o português falado.
Assim, como quem fala, ele remonta as histórias através de um trabalho nada simples: narrar da forma mais fiel possível, sem romantismos ou versões questionáveis. Entre arquivos, entrevistas e partituras, Arthur analisa cuidadosamente as diferentes visões sobre um mesmo acontecimento, à procura de indícios daquilo que é fato. E surge dessa observação o trocadilho que nomeia a oficina: o narrador não confiável, para o escritor, é o próprio sujeito, que tende a remodelar sua história a cada nova exposição.
A tentativa de mostrar a grandeza dos nomes da música local ao público com a força da realidade são parte da rotina e de quem é Arthur de Faria enquanto escritor e músico. “A parte mais gratificante é quando alguém que que tu entrevistou diz: ‘Bah, obrigado, cara. Tu foi fiel ao que eu disse’. Quando eu vejo, os músicos que tocaram com a Elis, por exemplo, que nunca tiveram a sua versão contada”, confessa o autor.
*Sob supervisão de Luiz G. Lopes