Arte & Agenda

Festival Zumbi Solidário celebra o protagonismo afro-brasileiro

No Dia Nacional da Consciência Negra, o evento promovido pela Frente Negra Gaúcha tem programação cultural gratuita na Banda Saldanha

O coletivo Poetas Vivos está entre as atrações desta quinta-feira, no Festival Zumbi Solidário
O coletivo Poetas Vivos está entre as atrações desta quinta-feira, no Festival Zumbi Solidário Foto : Pedro Silveira / Divulgação / CP

Um dia para falar das dores, mas também das conquistas, da libertação e do protagonismo: assim define o 20 de novembro a vice-presidente da Frente Negra Gaúcha, Maria Cristina Ferreira dos Santos. Nesta quinta-feira, Dia Nacional da Consciência Negra, entidades, organizações e comunidades de todo o país se mobilizam em torno de um mesmo objetivo: celebrar a história e a resistência afro-brasileira. E, em Porto Alegre, o Festival Zumbi Solidário marca presença no calendário pelo segundo ano.

Na programação do evento, que acontece na Banda Saldanha (av. Padre Cacique, 1355 - Praia de Belas), estão grandes nomes da música local: Thiago Ribeiro & Amigos, Poetas Vivos e Negras em Canto são alguns dos artistas que sobem ao palco nesta quinta-feira, além da Banda Black Rio, atração nacional. Ao lado deles, importantes instituições e personalidades negras e uma feira de empreendedorismo afro completam as atrações. Os ingressos são gratuitos, mediante retirada na Sympla e doação de 1kg de alimento não perecível.

O festival une diferentes gerações com a intenção de fortalecer a cultura negra e colocá-la em posição de reconhecimento e centralidade.

“Os negros celebram essa data como uma data realmente de libertação, de protagonismo. Não é o protagonismo, é o ‘pretagonismo’. Somos nós contando a nossa história. Porque a nossa história sempre foi contada pela boca e pela escrita do colonizador, não pelos negros”, afirma a vice-presidente.

Em contrapartida a séculos de apagamento e de invisibilização dos elementos culturais e dos próprios artistas negros, o Festival Zumbi Solidário aparece como uma ferramenta de luta e resistência da Frente Negra Gaúcha. Desde 2019, a instituição atua por diferentes abordagens - social, educativa, política e cultural - para colocar mais negros em espaços de poder.

Os reflexos de uma abolição que não deu suporte algum à população negra e o racismo que persiste são algumas das questões que evidenciam a importância da instituição do 20 de novembro como feriado nacional. Maria Cristina menciona o papel da data e do festival para fortalecer e reconhecer manifestações culturais negras como parte da construção do país: “O tempo passa, mas parece que as coisas não acontecem. Depois de uma falsa abolição, porque nada foi restituído à população negra, a cultura negra sempre é vista como uma subcultura [...] então, esse projeto vem para trazer isso, o fortalecimento dessa cultura e também a questão social, porque as periferias sempre estão necessitadas”

A solidariedade toma forma no evento por meio da arrecadação de alimentos que serão destinados a pessoas em situação de vulnerabilidade, reafirmando o papel social da Frente Negra Gaúcha. Parafraseando Conceição Evaristo, a vice-presidente encerra: “Combinaram de nos matar e a gente combinou de não morrer. Então, apesar de todas as dificuldades, hoje nós somos a maior população negra fora da África. E isso se deve a essa resistência e esse poder de transformação dos negros. Porque, se fosse pelo colonizador, não existiríamos mais aqui.”

Maria Cristina Ferreira dos Santos, vice-presidente da Frente Negra Gaúcha, em visita ao Correio do Povo | Foto: Mauro Schaefer

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