Nascida no Rio de Janeiro, Preta Maria Gadelha Gil Moreira era a terceira filha do cantor e compositor Gilberto Gil. Sua mãe, Sandra Gadelha, conhecida como Drão, foi musa inspiradora de Gil na música Drão, que falava do rompimento do casamento entre os dois.
Preta, que morreu neste domingo, aos 50 anos, tinha como irmãos Nara e Marília, filhas de Gil como Belina de Aguiar, Maria e Pedro (morto em 1990), também filhos de Sandra, e Bem, José e Bela, filhos de Gil com a empresária Flora Gil. Era sobrinha de Caetano Veloso por parte de mãe e afilhada da cantora Gal Costa.
Preta foi casada com o ator Otávio Müller, com quem teve seu único filho, o músico Francisco Gil. Era avó de Sol de Maria, nascida em 2015. Preta namorou os atores Caio Blat, Marcos Palmeira, Paulo Vilhena e o apresentador Marcos Mion.
Ela também foi casada com Rodrigo Godoy, com quem rompeu no período em que tratava o câncer. Preta acusou Godoy de traí-la enquanto ela fazia quimioterapia. O assunto gerou debates na sociedade.
Atriz, cantora e empresária, Preta ganhou fama depois de lançar seu primeiro álbum, em 2003, Prét-A-Porter. O trabalho, em um primeiro momento, ficou marcado por uma polêmica. A foto de capa trazia Preta nua. Anos mais tarde, em uma entrevista, Preta revelou que até mesmo seu pai, Gil, achou a foto 'desnecessária'.
'Meu pai é um sábio. Ele sabia exatamente o que eu iria passar depois. E não deu outra. Eu lancei o disco achando que eu estava abafando, que era bonita e gostosa. E aí veio um enxurrada de muitas críticas na época, de muito conservadorismo, muito preconceito', disse Preta em uma entrevista ao jornalista Pedro Bial.
Passado esse momento inicial, o álbum ganhou destaque pela faixa Sinais de Fogo, uma composição de Ana Carolina e Antonio Villeroy. Preta, então, passou a se apresentar como cantora e ganhou forte identificação sobretudo com o público gay. Preta, então, se tornou uma importante voz contra o preconceito, racismo e homofobia. Mais tarde, com a doença, Preta também se tornou uma voz importante na divulgação da prevenção e no diagnóstico precoce do câncer.
Como cantora, Preta ainda lançou outros cinco álbuns. O último deles, Todas As Cores, de 2017, trouxe as participações de Gal Costa, Pabllo Vittar e Marília Mendonça. Seu projeto Bloco da Preta foi um dos mais bem sucedidos do carnaval carioca.
Como atriz, Preta trabalhou em novelas como Agora É Que São Elas, Caminhos do Coração, Os Mutantes e nas séries As Cariocas e Pé na Cova.
Preta também teve destaque como empresária. Ela foi um das fundadoras da agência de marketing de influência e entretenimento Music2 + Mynd8. A empresa desenvolveu projetos para nomes como Pabllo Vittar, Xamã, Camilla de Lucas, Jessi Alves, Douglas Silva, Pequena Lo, entre outros artistas, atletas e influenciadores. Em 2019, a agência ganhou Prêmio Caboré, voltado aos profissionais da propaganda.