*Sob supervisão de Luiz Gonzaga Lopes
O longa-metragem gaúcho "Filhas da Lua”, dirigido por Tatiana Sager, foi exibido na tarde de sexta-feira, dia 21, no 54º Festival de Cinema de Gramado, encerrando a Mostra SEDAC/Iecine de Longas Metragens Gaúchos. O documentário mostra a trajetória de quatro protagonistas que, com resiliência, sobreviveram à névoa do sistema prisional e buscam uma outra vida.
A exibição reuniu as atrizes, que ergueram a bandeira trans ao subir no palco. Durante sua fala, Natalia Andrade França ressaltou a importância de estar ali, em um mundo que parecia tão distante para ela.
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Rubi Moreira, que também atua no filme, conta que ficou muito emocionada ao ver o filme na tela do festival. "É uma coisa que tempos atrás jamais a gente ia imaginar isso. A gente só ia poder imaginar a gente na parte policial, numa notícia de uma irmã nossa morta, só dessas maneiras a gente era passado pela mídia. Hoje em dia não, hoje em dia a gente tem voz, tem espaço. Tem espaço, tem lugar, tem emprego, tem profissão, tem família, a gente mostra que a gente é ser humano, que a gente é gente também”, comenta.
Para Li Rassier de Andrade, que co-dirigiu o documentário, a força do filme não está apenas em seus temas fortes, mas em sua leveza. “Eu acho que tem uma coisa mais linda, que é todas essas histórias, elas acontecem, mas são histórias difíceis com muita alegria no meio, porque a gente se diverte no caminho. É um caminho de resistência, e é de resistência, porque também é do deboche, é da ironia, é da brincadeira e é do apoio”, diz ele.
Li também destaca que a experiência com as protagonistas o ajudou a entender mais sobre sua trajetória enquanto pessoa trans. Em certo momento do filme, Rubi conta como resistiu a uma agressão – a cena em que Li conheceu Rubi nas filmagens. Logo após a fala do diretor, as atrizes do filme relembram esse momento e falam em uníssono: “quando uma leva pedrada, todas levam pedrada junto. E todas têm que reagir”.