Um boneco de pelos brancos, chifres, dentes e garras afiadas e olhos grandes e negros frequentemente acompanha a cineasta Clara Trevisan nas exibições de “Mãe da Manhã”, curta-metragem selecionado para a mostra Competitiva Brasil da 16° edição do Cine Esquema Novo. O filme será exibido no dia 30 de junho, às 17h, na Cinemateca Capitólio. Infelizmente, a personagem principal do filme não poderá estar na sessão, já que sua criadora está no Japão.
A relação com as criaturas é uma parte intrínseca da obra de Clara, que, inspirada em autoras como Donna Haraway, costuma se interessar pelos seres não-humanos. “Eu ia lá todo dia para o set animar e estava lá o boneco esperando. Tu vê ela começando a se mexer, então é muito doido, porque para de ser um objeto animado e se torna um personagem mais vivo”, relembra Clara sobre o processo de criação do curta, feito inteiramente em stop-motion, animação que utiliza fotografias sequenciais de objetos.
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Foi a primeira vez que a realizadora utilizou essa técnica. “Meio na loucura assim, porque eu não sabia fazer a técnica direitinho, então eu fui na tentativa e erro”, relembra ela. A partir de uma diversidade de tecidos, feltros, botões, perólas e berloques, origina-se o universo de “Mãe da Manhã”, filme que imagina o ciclo entre o dia e a noite como um monstro faminto.