Pela primeira, a trajetória de seis décadas do artista islandês Erró será apresentada na Fundação Iberê (av. Padre Cacique, 2000), em parceria com o Museu de Arte de Reykjavík, da Islândia, a partir deste sábado. A inauguração ocorre às 14h.
Com curadoria de Danielle Kvaran, pesquisadora francesa e uma das principais especialistas da obra do artista, a exposição “Erró – de imagem a imagem” reúne cerca de 50 pinturas e colagens produzidas a partir de 1966, nas quais ele reconfigura o mundo a partir de fragmentos – confrontando o público com uma linguagem visual ao mesmo tempo crítica, lúdica e inconfundivelmente pessoal. Erró é reconhecido em todo mundo como um dos mais importantes nomes da vanguarda europeia dos anos 1960, da pop art e do surrealismo. Seu estilo é chamado “Pop Barroco”.
“Imagem, colagem, reprodução, histórias em quadrinhos. Meu trabalho é confrontar documentos de uma grande diversidade para compor uma fotografia manual”, conta. A arte de Erró é associada à renovação da figuração pictural por meio da criação de seus quadros-colagens, de temática crítica e satírica, mas também ao movimento dos happenings e ao cinema experimental. Seu mundo pictórico é povoado por personagens de histórias em quadrinhos e déspotas autocráticos. O artista, que não poderá estar presente, adota um espírito provocador para expor lideranças cujas máquinas de propaganda defendem a ditadura.
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“Esta exposição vem sendo gestada desde minha passagem pela Dinamarca, em março de 2023, quando os curadores Gunnar e Danielle Kvaran me convidaram para a abertura de outra exposição de Erró, intitulada ‘O poder das imagens’. Na ocasião, tive o privilégio de conhecer mais amplamente a obra, o artista e sua visão de sociedade, de arte e de política, sempre entremeada de muito humor que, na maioria das vezes, se revela uma arma ácida e eficaz. Erró foi um dos artistas radicais das décadas 50 e 60, comprometido com a nova pintura figurativa, crítica do contexto sociopolítico de sua época. Aos 93 anos de idade, sua obra permanece universal e atemporal – e talvez mais pertinente do que nunca no mundo polarizado em que vivemos”, diz Emilio Kalil, diretor superintendente da Fundação Iberê.
A visitação segue até 2 de agosto, de quinta a domingo, das 14h às 18h. Às quintas-feiras, a entrada é gratuita.