Às 21h14, foi ao som de “Palco” que o gigante da música brasileira, Gilberto Gil, 83, começou um show histórico no Estádio Beira-Rio, em Porto Alegre, neste sábado, 6. A turnê “Tempo Rei” é a despedida de Gil dos palcos após 60 anos de carreira.
Há algum tempo, o músico baiano vem amadurecendo a ideia de não realizar mais turnês. Ele enxerga como natural e a decisão visa diminuir a intensidade de sua agenda. A montagem foi pensada como forma de celebrar sua trajetória e o reflexo que Gil gerou na cultura brasileira.
Trabalho árduo foi decidir o setlist apresentado aos gaúchos. Após a abertura com “Palco”, originalmente cantada com Milton Nascimento, Gil voltou para 1982 ao puxar os acordes de “Banda Um”. O público de fãs vibrou quando ouviu “Eu Quero um Xodó”, de Dominguinhos, mas muito conhecida na voz de Gil.
Não faltou emoção quando os trechos iniciais de “Drão” foram entoados: “o amor da gente é como um grão / Uma semente de ilusão / Tem que morrer pra germinar / Plantar n'algum lugar / Ressuscitar no chão, nossa semeadura”. A música, composta em 1981, é uma homenagem a Sandra Gadelha, ex-esposa de Gil e mãe de Preta, Pedro e Maria. O nome “Drão” vem do apelido dado por Maria Bethânia à Sandra: “Sandrão”.
Em 26 de abril, Gilberto e Preta cantaram juntos em São Paulo, durante a turnê “Tempo Rei”, após internação de 14 dias para tratar o câncer de colorretal que acabou levando a cantora à morte, em 20 de julho. O show em Porto Alegre é o primeiro da turnê após a perda da filha Preta. O público homenageou Preta gritando seu nome quando amúsica acabou. “A última vez que a Pretinha cantou comigo, ela cantou essa música para a mãe dela”, relembrou Gil.
Com o repertório recheado de sucessos, “Andar com Fé”, “Esotérico” e “Aquele Abraço” foram fortemente celebrados pelo público presente. Para encerrar a turnê histórica na capital gaúcha, Gil invocou o ritmo dançante de “Toda Menina Baiana”, trazendo o calor da Bahia para o inverno gaúcho.
Carinho e interação com o publico também não faltaram. Ao longos das faixas, o cantor apresentava a banda com alguma curiosidade, seja pelo instrumento tocado ou pelo nome do componente.
A direção artística do espetáculo é de Rafael Dragaud, direção musical de Bem Gil e José Gil. Gilberto Gil é acompanhado por banda composta pelos filhos Bem Gil (guitarra/baixo), José Gil (bateria), João Gil (guitarra/baixo), e Nara Gil (voz); além de Mariá Pinkusfeld (voz), Diogo Gomes (sopro), Thiago Oliveira (sopro), Marlon Sette (sopro), Danilo Andrade (teclado), Leonardo Reis (percussão), Gustavo Di Dalva (percussão), Mestrinho (sanfona), e um quarteto de cordas.
Assistida por mais de 470 mil pessoas, a turnê agora segue para São Paulo (17 e 18 de outubro), Rio de Janeiro (25 e 26 de outubro), Fortaleza (15 e 16 de novembro), Recife (22, 23 e 28 de novembro), Salvador (20 de dezembro) e Belém (21 de março).
Participação especial
A cantora gaúcha Adriana Calcanhotto, 59, surpreendeu a todos ao entrar no palco para cantar “Punk da Periferia” ao lado de Gil. A música, composta por Gilberto Gil, em 1983, faz parte do álbum “Extra”.
Gilberto Gil trouxe sua turnê Tempo Rei a Porto Alegre na noite de sábado, 06/09/2025
Confira o setlist completo:
Palco
Banda um
Tempo rei
Eu só quero um xodó
Eu vim da Bahia
Procissão
Domingo no parque
Cálice
Back in Bahia
Refazenda
Refavela
Não chore mais (No Woman, No Cry)
Extra
Vamos fugir
Nos barracos da cidade
A novidade
Realce
A gente precisa ver o luar
Punk da periferia
Extra II (O rock do segurança)
Retiros específicos
Se eu quiser falar com Deus
Drão
Estrela
Esotérico
Expresso 2222
Andar com fé
Emoriô / Dia da caça
aquele abraço
Esperando na janela
Toda menina baiana
Doutor Gilberto Gil
Além de cantor e músico, Gilberto Gil já foi Ministro da Cultura (2003 - 2008), é imortal da Academia Brasileira de Letras desde 2022 e Doutor Honoris Causa em 11 universidades. Nesta sexta-feira, 5, a Universidade Federal do Rio Grande do Sul também concedeu o título de Doutor Honoris Causa a Gil pela trajetória do tropicalista nas atividades artísticas, políticas e intelectuais e pela defesa da democracia. A decisão foi tomada sobre o extenso currículo do artista, sua relevância histórica e amplo prestígio nacional e internacional.
*Sob supervisão de Luiz Gonzaga Lopes